Publicado 17 de Abril de 2020 - 17h57

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (17) que o número real de casos do novo coronavírus na China é "muito maior" do que o relatado, mesmo depois de a cidade de Wuhan, onde a pandemia surgiu, revisar seu balanço de diagnósticos positivos.

Críticas internacionais crescem contra a maneira como o governo chinês gerenciou a crise do novo coronavírus, que matou mais de 150.000 pessoas em todo o mundo e já afeta a economia global desde que apareceu em Wuhan, capital da província chinesa de Hubei em dezembro do ano passado.

Mais da metade da humanidade está confinada em suas casas, enquanto os governos tentam conter a propagação do vírus mortal.

Os líderes mundiais estão tentando descobrir quando - e como - relaxam as medidas de contenção para reativar a economia devastada.

Trump está ansioso para liberar a retomada da atividade econômica, enquanto outros países europeus também afetados pelo vírus estão lentamente se movendo em direção à normalidade, com a reabertura de algumas lojas e escolas.

Trump anunciou nesta semana uma "reabertura" em fases dos Estados Unidos, mas na sexta-feira ele voltou à questão do número de mortos na China, depois que a cidade de Wuhan adicionou 1.290 mortes ao total de falecimentos pelo novo coronavírus.

Com esses novos dados, que correspondem apenas a Wuhan, o balanço total de óbitos - devido a "atrasos" e "omissões" nos registros - passou a 4.632 neste país de quase 1,4 bilhão de habitantes.

"A China acaba de anunciar uma duplicação no número de mortes pelo Inimigo Invisível. É muito maior que isso e muito maior que o dos Estados Unidos, nem chega perto!", escreveu no Twitter o presidente americano.

Atualmente, os Estados Unidos são o país com mais mortes relatadas pelo vírus, com cerca de 33.000 óbitos.

Líderes na França e no Reino Unido também criticaram a forma como a China lidou com a crise, e o presidente francês, Emmanuel Macron, disse que seria "ingênuo" pensar que Pequim lidou bem com a pandemia.

Até agora, acredita-se que o coronavírus tenha aparecido em um mercado popular em Wuhan, onde certas espécies de animais exóticos são vendidas para consumo humano.

O novo coronavírus teria origem animal, semelhante a um patógeno presente em morcegos, e teria se espalhado para o homem e sofrido mutação.

Mas a imprensa americana abriu uma nova hipótese. Segundo o The Washington Post, a embaixada dos Estados Unidos em Pequim alertou há dois anos sobre medidas de segurança ruins em um laboratório que estuda coronavírus de morcego.

Pequim, sob críticas internas e externas por supostamente ter subestimado a situação e favorecido a disseminação do vírus, respondeu nesta sexta-feira às acusações.

"Nunca ocultamos nada e nunca autorizamos ocultação", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian.

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