Publicado 17 de Abril de 2020 - 17h19

Por AFP

A crise econômica causada pela pandemia de coronavírus pode comprometer o progresso feito por países pobres nos últimos anos - advertiu o presidente do Banco Mundial nesta sexta-feira (17).

"Os avanços em matéria de desenvolvimento feitos nos últimos anos podem ser facilmente perdidos" se não agirmos rapidamente, alertou David Malpass.

A instituição com sede em Washington se comprometeu a ajudar os países mais vulneráveis do mundo, na semana em que o G20 apoiou uma iniciativa do G7 em acordo com o Clube de Paris para liberar cerca de 76 países pobres do pagamento da dívida por um ano.

O Banco Mundial vai investir US$ 160 bilhões nos próximos 15 meses em projetos para conter a pandemia, incluindo a ampliação de testes, o estabelecimento de cordões sanitários e aquisição de equipamentos médicos.

Esse fundo deve beneficiar inicialmente 25 países, entre eles Equador, Haiti e outros da África e da Ásia, incluindo a Índia, e o Banco espera expandi-lo para 100 países até o final do mês.

"Mas isso vai ser claramente insuficiente", no momento em que falta tudo nestes países, comentou Malpass, durante as reuniões semestrais do Banco e do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Malpass reiterou que é esperada uma ampla recessão global ainda mais profunda do que a Grande Recessão. Entre as causas, estão a queda simultânea da produção, do investimento, da empregabilidade e do comércio.

O FMI estima uma contração global de 3%, mas a queda do PIB pode ser maior, se a pandemia não for controlada antes do final de junho, e as medidas de confinamento tiverem de se prolongar no segundo semestre.

O anúncio de liberar temporariamente dezenas de países pobres da obrigação da dívida, incluindo Honduras, Haiti e Nicarágua, foi acompanhado por várias solicitações do Banco Mundial e do FMI para a adesão de credores privados.

"Os credores comerciais do governo devem apoiar o esforço de redução da dívida e não tirar proveito da situação", disse Malpass.

Ele também fez um apelo aos governantes pelo uso responsável dos fundos.

"Se um governo economiza ao não pagar os credores, espera-se que os recursos sejam aplicados em saúde, educação, manutenção de empregos, formas concretas de ajudar os necessitados em seu país", enfatizou.

Na América Latina, a crise será mais acentuada do que em outras regiões, com contração de 5,2% e, no caso da Espanha, país gravemente atingido pelo novo vírus, a queda do PIB será de 8%.

Na quinta-feira, o FMI alertou para a possibilidade de mais uma "década perdida" para a América Latina, com uma crise que faz oscilar a taxa de câmbio, o preço das matérias-primas, o turismo e desequilibra oferta e demanda.

A pandemia do novo coronavírus causou ao menos 150.142 mortes no mundo desde que teve início em dezembro passado, na China, segundo contagem da AFP feita a partir de fontes oficiais às 16h de Brasília (19h GMT) desta sexta-feira (17).

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