Publicado 17 de Abril de 2020 - 14h37

Por AFP

Com bloqueios ao transporte público, protestos nas ruas e panelaços, centenas de colombianos protestaram nos últimos dias para exigir alimentos e outros auxílios diante da crise econômica gerada pela pandemia do novo coronavírus.

Nesta sexta-feira (17), manifestantes invadiram estações do sistema de transporte público no sul de Bogotá, que reduziu sua operação por causa da quarentena nacional decretada em 25 de março e que foi ampliada até 27 de abril, segundo imagens da imprensa local.

"Há pessoas que estão em condição de vulnerabilidade. Muitos já receberam ajuda, outros não, e temos que ver como faremos para chegar até eles", reconheceu o presidente Iván Duque à emissora La Voz, em Bogotá.

Os afetados, a maioria habitantes e trabalhadores informais de setores sem atividade na capital colombiana, exigem auxílio por causa da impossibilidade de trabalhar pela ordem de confinamento para a COVID-19, que deixa quase 150 mortos e mais de 3.000 infectados no país.

Além do bloqueio na TransMilenio, ocorrem também panelaços em bairros pobres da cidade, em Ciudad Bolívar, desde a última quarta-feira, além de protestos e tentativas de roubos a supermercados que foram controlados pela polícia, segundo a prefeita Claudia López.

O prefeito de Ciudad Bolívar, Christian Robayo, denunciou o uso de "força excessiva" dos agentes públicos.

López se desculpou na quinta-feira pelo atraso na entrega da ajuda prometida às populações vulneráveis, sob justificativa de que o governo nacional suspendeu as transferências de dinheiro devido a irregularidades nas bases de dados dos pagamentos.

"Ontem fomos autorizados a reiniciar as ordens de pagamento, transferimos dinheiro para 18.960 famílias e entregamos 5.000 compras (de mercado)", escreveu ele no Twitter nesta sexta-feira.

Com isso, 280.000 dos 500.000 pagamentos com valores mensais entre US$ 45 e US$ 110 e US$ 1,8 milhão direcionado à ajuda alimentar às famílias pobres foram realizados, acrescentou.

Em outras cidades como Cali, Medellín e Bucaramanga, também ocorreram protestos. Além disso, em vários municípios, as pessoas mais afetadas pela falta de renda penduravam panos vermelhos nas janelas das casas para sinalizar que precisam de comida.

Com uma taxa de informalidade que chega a 47% e com o desemprego a 11,2%, a Colômbia lançou um plano para enfrentar a pandemia estimado em US$ 15 bilhões, que inclui créditos, subsídios aos mais pobres e recursos para o sistema de saúde.

Ao mesmo tempo, a quarta economia latino-americana foi atingida pela queda nos preços internacionais do barril de petróleo, que representa 9,3% da receita do Estado.

raa/vel/lda/bn

Twitter

Escrito por:

AFP