Publicado 17 de Abril de 2020 - 11h48

Por AFP

As palmeiras que revestem muitas avenidas nos Estados Unidos, as sebes que dividem jardins e parques, as bromélias e orquídeas vendidas em supermercados... Grande parte disso tudo é cultivada na Flórida.

Mas os produtores do "estado do Sol" estão em prejuízo, porque ninguém precisa de uma planta ornamental durante a pandemia.

"Este é o momento de florescimento do hibisco. Se não vendermos, teremos que comê-lo em uma salada", diz Francisco González, dono do Primavera Nursery, um pequeno viveiro na cidade de Homestead.

Nesta cidade agrícola ao sul de Miami, é cultivada grande parte das plantas ornamentais vendidas para construtores, paisagistas, supermercados e lojas como Home Depot e Walmart de todo país.

Em seu avanço destrutivo, a pandemia também afogou este setor justamente quando entrava em sua alta temporada, devido à mudança de estação. Março é o mês, em que os consumidores do centro e do norte do país começam a restaurar seus jardins.

"O ano inteiro esperando por este momento e esse infortúnio cai sobre nós", lamenta González, um guatemalteco de 46 anos.

Seu viveiro possui seis hectares e produz 70 variedades de plantas ornamentais, como ficus, crotón, clusia, helicônia... Nada que seja prioritário para os consumidores em tempos de crise na saúde e de compras nervosas.

"Em abril, estamos quase 60% abaixo do que deveríamos", relata González, que havia feito investimentos para aumentar a produção este ano.

"Deveríamos ter, dependendo da temporada, 125% comparado ao ano passado", completa.

Para enfrentar a tempestade, González reduziu o horário de seus 11 funcionários com o objetivo de estender seus empregos por mais duas semanas, mas teme que terá de demiti-los, se o mercado não se reativar.

"Você cruza os dedos para alguém dizer "vou embora"", confessa.

"Com essa doença, a menor preocupação das pessoas será comprar este tipo de planta. Todo mercado caiu. Esses são os primeiros trabalhadores que perderam o emprego", diz o coordenador-geral da Associação Campesina da Flórida, Antonio Tovar.

"No que é ornamental, 90% dos trabalhadores perderam o emprego", afirma Tovar à AFP.

É impossível, porém, calcular exatamente quantos trabalhadores do campo estão desempregados na Flórida.

É um segredo aberto que a grande maioria trabalha em situação ilegal, não entrando, consequentemente, nas estatísticas. Isso significa que eles não têm acesso a seguro-desemprego e que não receberão o cheque de ajuda federal com o nome do presidente Donald Trump.

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