Publicado 17 de Abril de 2020 - 10h18

Por AFP

Em uma Belfast confinada, a cerveja Guinness continua circulando em abundância graças a Richard Keenan, cujas vans percorrem a cidade para saciar a sede de clientes assíduos dos pubs que agora estão fechados.

Assim como o restante dos estabelecimentos no Reino Unido, seu pub, The Hatfield House, teve que fechar as portas para combater a pandemia do novo coronavírus.

Mas, longe de se deixar abater, Keenan teve a ideia de dividir sua equipe em quatro vans, equipadas com barris refrigerados e torneiras de cerveja, como no balcão de qualquer bar.

As distâncias de segurança são respeitadas pelos clientes para evitar qualquer possível propagação do vírus, que já causou 13.000 mortes no Reino Unido.

Embora a Guinness também seja vendida em latas, os mais experientes garantem que servida sob pressão, lentamente e em duas etapas, tem um sabor incomparável.

O governo refletiu bastante antes de tomar a decisão de fechar os bares. "Privamos o povo livre do Reino Unido de um direito antigo e inalienável", afirmou o primeiro-ministro Boris Johnson.

A associação Campaign for Real Ale (Camra), que defende os pubs tradicionais, estima que deve-se tirar o equivalente a 50 milhões de pints nos 39.000 pubs do Reino Unido.

E as consequências vão além das perdas financeiras, já que os pubs fazem parte do coração da sociedade britânica.

"São lugares de socialização. Trazem muitas coisas boas. Ajudam a combater a solidão e o isolamento", afirma o diretor geral da Camra, Tom Stainer.

O cenário é especial para as pessoas vulneráveis, como os mais velhos, a quem o governo pediu uma quarentena estrita.

Para Keenan, seu serviço de entrega da Guinness é um primeiro passo, que pode "transmitir um pouco de alegria" nestes tempos incertos.

"Muita gente compra para o pai que não pode sair e cuja vida social consistia antes em ir beber a cerveja uma vez por semana", conta.

E seus clientes ficam felizes em poder se reconectar, mesmo que por um instante, com algo semelhante a uma vida normal.

"Sentimos falta de coisas como essa", diz David Ferguson, de 43 anos, que trabalha com finanças, e que recebe a entrega de três pints em seu jardim.

"É realmente o sabor", afirma, depois de tomar um gole. "É reconfortante, acredito que seja bom para a moral", estima.

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