Publicado 17 de Abril de 2020 - 9h57

Por AFP

Alvo de críticas pela falta de transparência quando o novo coronavírus foi detectado, o governo chinês revisou os números e anunciou nesta sexta-feira (17) 1.300 mortos adicionais na pandemia que paralisa o mundo, ao mesmo tempo em que países como a Alemanha apresentam sinais de esperança ao afirmar que a situação está sob controle.

Os balanços oficiais de Pequim de contágios e mortes provocadas pelo coronavírus provocam suspeitas há várias semanas. Nesta sexta, as autoridades chinesas insistiram em que não ocultaram dados, e sim que aconteceram "omissões" e "atrasos".

A China havia anunciado até o momento 3.342 mortes e mais de 82.000 contágios em um país de quase 1,4 bilhão de habitantes.

Hoje, Wuhan, cidade do centro da China em que o vírus foi detectado em dezembro, explicou que, no pico da epidemia, alguns pacientes morreram em casa, porque não tinham condições de serem atendidos em hospitais. Estes óbitos não tinham sido contabilizados.

Com os novos números, o balanço total na China subiu para 4.632 mortos.

Desde dezembro, o novo coronavírus matou mais de 145.000 pessoas e infectou 2,1 milhões, de acordo com um balanço da AFP, baseado em dados oficiais, provavelmente inferior ao custo humano real desta pandemia.

As perguntas sobre a origem do vírus são inúmeras. Até agora, muitos acreditam que surgiu em um mercado de Wuhan ao ar livre, onde certas espécies raras de animais eram vendidas. O novo coronavírus seria de origem animal, semelhante a um patógeno presente em morcegos, que teria sido transmitido ao homem e sofrido mutação.

A imprensa americana levantou uma nova hipótese. O jornal "The Washington Post" informou que a embaixada dos Estados Unidos em Pequim alertou há dois anos sobre as escassas medidas de segurança de um laboratório que estudava os coronavírus dos morcegos.

De acordo com o canal Fox News, o novo coronavírus teria surgido neste local, em consequência de um erro involuntário.

O presidente francês, Emmanuel Macron, avaliou na quinta-feira em uma entrevista ao jornal "Financial Times" que há aspectos desconhecidos na gestão por parte da China da pandemia do novo coronavírus.

"Teremos que fazer perguntas difíceis sobre o aparecimento do vírus e sobre por que não pôde ser detido antes", declarou, no mesmo tom, o ministro britânico das Relações Exteriores, Dominic Raab.

Atualmente, 4,5 bilhões de pessoas, ou seja 58% da população mundial, permanecem confinadas, mas na Europa os governos começam uma análise entre as exigências de saúde e a necessidade de minimizar o custo financeiro da pandemia.

Países como Espanha e Itália estão começando a retirar as restrições de movimento, decidindo quem pode voltar a trabalhar, ou estudar, e quem deve continuar em casa, assim como quais medidas de segurança deverão ser aplicadas para evitar um surto fatal.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Europa permanece no "olho do furacão" e não deve baixar a guarda.

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