Publicado 17 de Abril de 2020 - 6h17

Por AFP

A epidemia de COVID-19 representou uma desaceleração inédita para o crescimento da China: o Produto Interno Bruto (PIB) do país teve uma retração de 6,8% no primeiro trimestre, o pior resultado desde o fim da era maoista.

Embora considerado pouco confiável, o resultado do PIB da China provoca interesse devido ao peso do país na economia global.

"A contração real no primeiro trimestre é, sem dúvida, bem maior do que sugerem os dados (oficiais)", afirmou o economista Ting Lu, do banco de investimentos Nomura.

A queda foi inferior à estimativa realizada por um grupo de analistas consultados pela AFP, que previu uma retração de 8,2%

Mas este é o pior resultado desde o início das publicações trimestrais do PIB no início dos anos 1990. No último trimestre de 2019, o crescimento foi de 6% em ritmo anual.

Em termos anuais, a China não experimentava uma contração do PIB desde 1976.

O resultado do primeiro trimestre era muito esperado porque a China foi o primeiro país afetado pelo novo coronavírus, no fim de 2019.

Em seu esforço para deter a propagação do vírus, que deixou oficialmente mais de 4.600 mortos no país, a China adotou medidas de confinamento sem precedentes no final de janeiro, o que paralisou a atividade econômica. Atualmente o país retoma progressivamente o ritmo.

Em plena propagação mundial do vírus, a China "enfrenta novas dificuldades e desafios para reiniciar a atividade e a produção", disse em entrevista coletiva o porta-voz do Bureau Nacional de Estatísticas Mao Shengyong.

Apesar do progresso das condições de saúde nas últimas semanas, centenas de milhões de chineses seguem limitados em seus deslocamentos por medo a contrair o novo coronavírus.

Este contexto afetou o consumo.

As vendas no varejo desabaram em março, 15,8% em ritmo anual. Nos dois meses anteriores (única estatística disponível) caíram 20,5%.

A produção industrial, no entanto, caiu apenas 1,1% (contra -13,5% em janeiro e fevereiro), o que dá a entender uma retomada na atividade do país.

O investimento em ativos fixos na segunda maior economia mundial caiu 16,1% nos três primeiros meses do ano (contra -24,5% na última publicação).

Entre abril e junho, se prevê que a China volte a crescer, após registrar no primeiro trimestre sua "desaceleração mais severa desde a revolução cultural", que terminou em 1976, avalia o analista Julian Evans-Pritchard, da Capital Economics.

Mas isto não significa o fim dos problemas, adverte Evans-Pritchard: haverá aumento do desemprego, fraca demanda interna e condições econômicas difíceis no exterior que provocarão a queda nas exportações, um motor da economia chinesa.

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