Publicado 16 de Abril de 2020 - 21h08

Por AFP

Congressistas republicanos exigiram nesta quinta-feira (16) do presidente americano, Donald Trump, que condicione o financiamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) à renúncia de seu diretor, a quem acusam de ter fracassado em sua gestão durante a pandemia do novo coronavírus.

Ao menos 17 republicanos do comitê de Assuntos Exteriores do Congresso disseram que tinham "perdido a fé" na liderança de Tedros Adhanom Ghebreyesus na OMS.

"O diretor-geral Tedros fracassou em seu mandato de responder objetivamente à maior crise sanitária no mundo desde a pandemia de HIV/Aids", escreveram em uma carta a Trump os legisladores, encabeçados pelo republicano Michael McCaul.

Trump anunciou na quinta-feira que Washington suspenderia o aporte ao organismo da ONU, que no ano passado chegou a 400 milhões de dólares. O presidente acusou a OMS de "gerenciar mal" a crise e encobrir a gravidade do surto de COVID-19 na China antes de se espalhar.

Mais de 141.000 pessoas em todo o mundo morreram desde o início da pandemia e a economia global sofreu uma queda vertiginosa.

"Recomendamos que condicione qualquer futura contribuição voluntária do ano fiscal de 2020 à OMS à renúncia do diretor-geral Tedros", escreveram a Trump os 17 republicanos.

Em sua carta, acusaram Ghebreyesus de estar disposto demais a acreditar em Pequim e ignorar uma advertência de Taiwan sobre a facilidade de transmissão do vírus.

Segundo eles, o diretor-geral da OMS retardou as declarações de emergência "apesar das provas claras da rápida propagação e transmissão de humano para humano da COVID-19".

A organização declarou a pandemia em 11 de março, depois que 114 países tinham reportado casos e que 4.500 pessoas tinham morrido. Antes, o diretor havia recomendado não proibir as viagens.

"Perdemos a fé na habilidade do diretor-geral Tedros para liderar a Organização Mundial da Saúde", disseram a legisladores.

Mas acrescentaram que "compreendem e valorizam o papel vital que a OMS desempenha em todo o mundo, especialmente em situações humanitárias agudas".

Também destacaram que a OMS costuma ser "a única organização que trabalha no terreno nos piores lugares do mundo e os Estados Unidos deveriam continuar apoiando este importante trabalho".

Mas os congressistas exigiram a adoção de medidas rápidas para garantir a "imparcialidade, transparência e legitimidade" da OMS.

Ghebreyesus, de 55 anos, é especialista em malária e foi ministro da Saúde e das Relações Exteriores da Etiópia.

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