Publicado 16 de Abril de 2020 - 19h37

Por AFP

Mais de 22 milhões de pessoas solicitaram o seguro-desemprego nos Estados Unidos em quatro semanas, enquanto o presidente Donald Trump é pressionado a apresentar seu plano de retomada da maior economia do mundo, paralisada pela pandemia de COVID-19.

Novos dados do Departamento do Trabalho indicam que as empresas americanas cortaram 5,2 milhões de empregos entre 4 e 11 de abril, um número um pouco menor do que na semana anterior, mas historicamente alto, causado pelo fechamento de negócios e restrições de movimento ordenadas para retardar a propagação do vírus.

Além disso, dados da Agência do Censo detalham o impacto da pandemia no mercado imobiliário, enquanto um relatório do Federal Reserve (Fed, banco central americano) mostra o colapso da atividade manufatureira no nordeste dos Estados Unidos.

John Williams, presidente do Federal Reserve de Nova York, o estado mais atingido pela pandemia , alertou que deverá levar pelo menos "um ano ou dois" para que a economia americana recupere sua força.

"Infelizmente, é uma situação em que nossas economias podem ter um desempenho ruim por algum tempo", afirmou em uma videoconferência organizada pelo New York Economic Club.

Os Estados Unidos, o país do mundo com o maior número de infecções e mortes pelo novo coronavírus, tiveram baixos níveis de desemprego e altos rendimentos nos índices de Wall Street antes da crise da saúde, mesmo quando a indústria manufatureira sofreu com as guerras comerciais de Trump.

Mas a intensificação da pandemia causou uma queda acentuada da atividade econômica, que excede, em alguns setores, o que ocorreu durante a Grande Recessão de 2009.

Embora o pico do desemprego possa ter sido atingido, "os pedidos de subsídio permanecerão extraordinariamente altos nas próximas semanas, à medida que a economia entra em recessão", segundo analistas da Oxford Economics.

Trump planeja apresentar diretrizes nesta quinta-feira para retomar a atividade econômica do país, depois de dizer, na véspera, que sua "estratégia agressiva" contra o surto do novo coronavírus havia funcionado, e que o país havia superado o pico de novas infecções.

No entanto, nas últimas 24 horas, 4.505 pessoas morreram por COVID-19 no país, o que totaliza 31.590 mortes desde o primeiro falecimento ligado ao vírus, no final de fevereiro, e 648.788 infecções, de acordo com uma contagem da AFP divulgada nesta quinta-feira, às 16H00 de Brasília.

Trump sugeriu ontem que, em alguns casos, a retomada econômica poderia começar antes de 1º de maio.

Enquanto isso, a Administração de Pequenas Empresas (Small Business Administration, SBA), encarregada de administrar um programa de 349 bilhões de dólares para ajudar as pequenas e médias empresas (PMEs) que lutam contra a pandemia, disse que esgotou seus recursos.

A SBA não pode aceitar novos pedidos de empréstimos para PMEs "com base nos fundos disponíveis", informou a organização, enquanto o governo e o Congresso negociam uma extensão de 250 bilhões de dólares deste plano há uma semana.

Os democratas pedem cláusulas que garantam que os empréstimos sejam bem distribuídos entre todas as empresas que têm o direito de solicitá-los, e desejam aprovar, ao mesmo tempo, 250 bilhões de dólares adicionais para hospitais, estados e municípios.

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