Publicado 16 de Abril de 2020 - 19h27

Por AFP

A Califórnia ordenou nesta quinta-feira que trabalhadores da área alimentar, considerados essenciais durante a pandemia do COVID-19, recebam licença médica por horas extras se forem afetados pelo vírus.

O governador Gavin Newsom informou que a ordem executiva beneficiará "as pessoas que cultivam nossa comida, que colhem, embalam, entregam, cozinham, servem e vendem nossa comida" que foram infectadas ou expostas à doença que matou 890 pessoas no estado.

Quase todas os 40 milhões moradores da Califórnia estão sob ordens para ficar em casa contra a pandemia, com exceção de trabalhadores essenciais, como pessoal de saúde, segurança e serviços de alimentação, incluindo agricultores.

No entanto, muitos deles temem perder o emprego se precisarem faltar.

"Não queremos que eles trabalhem doentes", disse o governador em uma entrevista coletiva virtual, indicando que essa licença remunerada é paga pelo empregador e é "complementar" à já prevista no contrato.

"Queremos que saiba que, se você estiver doente, não há problema em dizer ao seu empregador, você receberá um salário suplementar por um período mínimo de duas semanas".

"Ouvi alguns trabalhadores de supermercados dizerem "eles nos chamam de trabalhadores essenciais, mas cada vez mais sentimos que somos descartáveis". Quero que eles saibam que não são descartáveis, são essenciais e são valorizados", ressaltou o governador.

A medida - que se aplica a empresas com mais de 500 funcionários - foi comemorada pelo sindicato dos agricultores (UFW).

"A proteção dessas comunidades é vital para a proteção de nosso abastaecimento de alimentos", disse sua presidente Teresa Romero.

Muitos dos trabalhadores deste setor estão em situação migratória irregular, não podendo se beneficiar do plano de assistência aprovado pelo governo federal.

Newsom anunciou na quarta-feira que alocará US$ 125 milhões - entre recursos públicos e privados - para atender os imigrantes que não possuem documentos.

"A Califórnia é o estado mais diverso do país. Nossa diversidade nos torna mais fortes e resistentes. Todo californiano, incluindo nossos vizinhos e amigos indocumentados, deve saber que a Califórnia está aqui para apoiá-lo durante essa crise. Estamos todos juntos nisso", garantiu Newsom.

Cerca de 10% dos trabalhadores desse estado, a quinta economia do mundo, não têm documentos, segundo a ONG United We Dream.

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