Publicado 07 de Março de 2020 - 12h17

Por Daniela Nucci

Leandro Ferreira

Ato reúne mulheres por democracia, direitos e justiça

Daniela Nucci [email protected]

Um ato das mulheres contra o governo de Jair Bolsonaro por democracia e direitos e por justiça pelo assassinato da vereadora Marielle Franco foi realizado na manhã de ontem na Praça do Largo do Rosário, no Centro. O movimento serviu também para colher assinatura da população com o objetivo de pedir às autoridades - via abaixo assinado - a realização de uma campanha de combate a violência contra mulher. O ato foi organizado pelo Comitê de Mulheres pela Democracia que congrega entidades de um amplo leque de organizações, coletivos, sindicatos, partidos de esquerdas e movimentos populares. Para os organizadores, cerca de 4 mil pessoas participaram do ato. De acordo com a Polícia Militar (PM), o movimento reuniu mil pessoas. “O ato tem como objetivo dar visibilidade a luta das mulheres que é todo dia, sairemos as ruas pelo fim da atual política econômica que acaba com saúde e educação, que retira recursos e investimento em políticas públicas que afetam diretamente as mulheres, especialmente no enfrentamento da violência que cresce a cada ano (a cada hora 536 mulheres sofrem violência no Brasil). Queremos o fim da violência contra, a população negra e jovem nas periferias e favelas, e a população LGBT. Sabemos que a violência é resultado da desigualdade do machismo e do racismo crescente na sociedade e impregnado neste governo. Queremos o fim da subordinação e a entrega das empresas estatais ao capital internacional. Acreditamos que com Bolsonaro e seus aliados, não temos possibilidade de ter uma vida digna, com direitos e livre de violência. Estamos nas ruas porque acreditamos que o Brasil pode ser melhor pela força e organização das mulheres. ”, diz a coordenadora do comitê regional da Marcha Mundial das Mulheres (MMA), Lourdes Simões. Há 32 anos na luta em defesa da mulher, Cleudiran Sales Dias, da União Brasileira de Mulheres, também destacou a importância da manifestação. “É um dia de reflexão e de luta para avançarmos nas mudanças, com a participação das mulheres e combater as desigualdades sociais entre homens e mulheres”, diz Cleudiran. Pela primeira vez num movimento como este, a funcionária pública Maria das Dores Silva, de 55 anos, achou a ação de extrema importância. “É necessário um movimento como este, principalmente, no atual governo que estamos vivendo, em defesa das mulheres, com o aumento dos casos de feminicídio. A população deve ser alertada e devemos nos unir sempre”, disse Maria das Dores. O vendedor Carlos José, de 43 anos, também conferiu a ação e aprovou a ação. “Acho que as mulheres devem se unir contra qualquer tipo de machismo e violência contra elas. Todos devem ser tratados igualmente e terem seus direitos respeitados”, comentou o vendedor. Muitos grupos culturais também deram força ao manifesto como o Maracatucá, de Barão Geraldo. “As manifestações culturais é uma das formas das mulheres gritarem por seus direitos contra a violência”, disse Nilvanda Sena, coreógrafa do grupo, que apresentou com mais 30 integrantes cantos, danças e percussões de maracatu. No final, foi realizada uma caminha pelas ruas do Centro da cidade com cartazes, panfletos, músicas e danças para alertar a população sobre a importância do ato para as mulheres e toda a sociedade. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) acompanhou o protesto para orientar o tráfego. Cerca de 30 policias militares também deram reforço na ação.

Caravana

Hoje, no Dia Internacional da Mulher, 8 de Março, haverá uma caravana com sete ônibus de Campinas para o grande Ato Estadual das Mulheres, em São Paulo, na Avenida Paulista, a partir das 14h.

Escrito por:

Daniela Nucci