Publicado 06 de Março de 2020 - 19h06

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Wagner Souza

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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A redução das cotações internacionais do preço do petróleo impactou o valor da gasolina e diminuiu consideravelmente o custo do litro nas bombas em fevereiro. No mês passado, o preço médio da gasolina comum nos postos de combustíveis caiu 1,65% em todo País na comparação com janeiro, segundo estudo divulgado ontem pela ValeCard, uma empresa especializada em soluções de gestão de frotas. No entanto, o desconto mencionado em todo o Brasil, não foi o mesmo aplicado em Campinas. O que se viu no período, na verdade, foram os estabelementos da cidade apresentando uma redução quase que nula no valor cobrado pela gasolina (0,52%) e um aumento de aproximadamente 0,8% no preço médio do álcool.

Segundo a ValeCard, em fevereiro, o valor médio do preço da gasolina no Brasil ficou em R$ 4,68, sendo que em janeiro era de R$ 4,76 – uma redução de oito centavos. Em Campinas, no entanto, a realidade passou longe desse patamar. No município, a queda foi de apenas dois centavos: de R$ 4,38 para R$ 4,36, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Entre os estados, a gasolina mais cara foi encontrada no Rio de Janeiro (R$ 5,10), enquanto a mais barata no Amapá (R$ 4,20). A pesquisa da ValeCard avaliou cerca de 20 mil estabelecimentos brasileiros.

Em março, o cenário de redução de preços em todo o País deve continuar, já que no início desta semana, o Governo Federal anunciou um novo corte – dessa vez de 4% - nos valores cobrados pela gasolina nas refinarias. Apesar da quinta redução consecutiva, o reajuste nas bombas não é automático, já que entre os fatores é preciso considerar a incidência de impostos e a margem do valor de revenda.

Na avaliação de Flávio Campos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas (Recap), dois fatores, em especial, explicam porque o município não apresentou uma queda drástica no valor cobrado pelo litro da gasolina.

Segundo ele, um dos problemas ocorre, porque em São Paulo há um nível muito alto de competitividade entre os postos – algo que não acontece em outros estados. “Além disso, atualmente 65% do mercado é dominado por três distribuidoras – que são a Shell, a BR e o Ipiranga – e que revendem o valor para os postos de combustíveis pelo preço que elas bem entenderem”, afirmou Campos, que disse ainda que as três distribuidoras também fazem preços diferentes em cada estado brasileiro de acordo com interesses próprios.

Reclamações

Para os motoristas campineiros entrevistados ontem pela reportagem do Correio Popular, o preço da gasolina praticado na cidade é considerado “revoltante”. Morador do bairro do Guanabara, o engenheiro Leonardo Hamashiro, de 49 anos, conta que roda quase 100 quilômetros por dia para ir e voltar do trabalho em Americana. Segundo ele, a alta nos preços dos combustíveis testam a paciência dos consumidores. “A gente fica até de saco cheio, porque os aumentos são constantes e quase nunca há uma queda nos valores”, disse.

Já Gabriel de Souza, de 25 anos, que trabalha há três meses como motorista em uma plataforma de transporte por aplicativo, acredita que os preços praticados nas bombas poderiam ser bem mais em conta. “Eu não tenho dúvida disso. Tem posto que está cobrando mais de R$ 4,50 o litro da gasolina. Você enche o tanque e dá quase R$ 200,00. Onde já se viu um negócio desse!”, exclamou.

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Adagoberto F. Baptista