Publicado 05 de Março de 2020 - 11h54

Por Adagoberto F. Baptista

((( ESPERANDO RESPOSTA DO MÁRIO GATTI )))))

Usuários socorrem paciente desmaiado no Mário Gatti

Pessoas que esperavam atendimento na noite desta quarta-feira (5) à noite no Hospital Mário Gatti, em Campinas, foram obrigados a socorrer uma mulher que desmaiou no Pronto Socorro à espera de atendimento. A mulher permaneceu por vários minutos no chão, amparada apenas por um parente, sem que aparecesse um funcionário para realizar os primeiros procedimentos de cuidados médicos. Segundo testemunhas, a mulher permaneceu no chão por cerca de cinco minutos. A paciente foi colocada numa cadeira de rodas pelos próprios usuários e levada depois por uma funcionária.

O episódio foi gravado em vídeo pela auxiliar financeira Maria Aparecida Costa Motter Florence. A gravação mostra o PS lotado e reclamações generalizadas de pacientes e acompanhantes sobre a excessiva demora no atendimento. “Olha isso. Não tem ninguém aqui pra atender”, disseram os pacientes no vídeo.

Maria Aparecida conta que teve de esperar ao menos oito horas por atendimento, mas garantiu ter ouvido relatos de pessoas que esperaram até 14 horas, ontem à noite.

Moradora do Jardim Novo Campos Elíseos, Maria Aparecida conta que procurou o hospital com fortes dores de cabeça, segundo ela, provocadas por um “caroço” surgido há menos de duas semanas. Chegou ao PS por volta das 15h; passou pela triagem apenas às 18h e, por volta das 20h, revoltada com a demora, foi reclamar.

“Quando eu cheguei e tentei entrar na sala do médico, as atendentes gritaram comigo e disseram que iriam chamar a Polícia se eu continuasse. Como eu continuei, elas me seguraram pelo braço e chamaram dois GMs (Guardas Municipais)”, relata a mulher. “Ao invés de me darem um médico, me entregaram para a Polícia”, disse ela, indignada com o tratamento dispensado pelo hospital.

“Eu disse aos guardas. Podem me algemar . Estendi meus dois braços para eles e disse que poderiam me levar para a delegacia”, continuou a paciente. “Os Guardas, porém, parecem ter mais consciência, pois um deles entrou na sala do médico e pediu para que me atendesse”, revelou.

“É revoltante, a maneira cruel, desumana, com que as pessoas são tratadas . As pessoas são tratadas como lixo. Não é possível que isso esteja acontecendo”, desabafa a mulher. Ela conta ter chegado em casa pouco antes da meia-noite. “Foi uma situação humilhante, lastimável e triste. Muito triste”, concluiu.

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Adagoberto F. Baptista