Publicado 05 de Março de 2020 - 11h32

Por Adagoberto F. Baptista

Alenita Ramirez

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Foto: Divulgação

A Polícia Federal (PF) cumpriu na manhã de ontem, em um imóvel em Hortolândia, mandado de busca e apreensão contra um suspeito de envolvimento em um esquema de tráfico internacional de armas de fogo, acessórios e munições. A operação, Gun Express, foi deflagrada pela PF de Curitiba, no Estado do Paraná. No total foram cumpridos 72 mandados, sendo 62 de busca e apreensão e dez mandados de prisão preventiva, nos estados do Paraná, Bahia, Rio Grande do Norte, São Paulo, Paraíba, Sergipe, Santa Catarina, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Em Hortolândia, segundo os policiais, nada foi achado.

De acordo com a corporação paranaense, ao menos 310 policiais federais participam da operação, cujas investigações tiveram início no primeiro semestre de 2018, quando a PF identificou que criminosos usavam os Correios para enviarem armamentos para comparsas de outros estados brasileiros.

Os policiais apuraram que armas, munições e acessórios eram escondidas dentro de equipamentos de treino para artes marciais, como aparadores de chute, luvas e caneleiras.

A partir da constatação, os policiais conseguiram identificar um grupo de pessoas espalhadas nos estados do Paraná, Bahia e Rio Grande do Norte que atuavam na importação, guarda, remessa e transporte de armas de fogo, acessórios e munições, que teriam como destino diversas cidades não só destes estados, mas de outros no país.

Durante as apurações, os policiais descobriram que a quadrilha também se utilizava de caminhões tanques para o transporte do armamento para alguns Estados do Nordeste. O armamento e acessórios eram escondidos nos tanques de combustíveis. Foram realizadas diversas apreendidas ao longo das apurações, 50 pistolas, 50 acessórios, 107 carregadores e 2024 munições. Os policiais descobriram que até fuzil foram transportados por remessa. “O grupo montava as armas”, disse o delegado Rodrigo de Morais.

A PF estima que o grupo remeteu e transportou, desde 2016, mais de 300 armas de fogo e que tenha investido na compra ilegal cerca de R$ 2 milhões. As armas eram oriundas dos Estados Unidos, Áustria, República Checa, Coreia do Sul, México, Itália, Turquia e até Brasil – neste caso, o Brasil vendia para os Estados Unidos, que revendia para o Paraguai e criminosos brasileiros compravam de forma ilegal. Todas as armas do esquema tem origem no Paraguai. “Identificamos que parte do pagamento das armas era feito por intermédio de empresas de fachada controladas por suspeitos da Bahia e do Rio Grande do Norte para dar aparência lícita aos repasses financeiros feitos pelo sistema de transferências bancárias. Eles enviam dinheiro para contas no Rio Grande do Sul”, disse o delegado.

As armas tinham como destino compradores envolvidos em roubos e tráficos de entorpecentes. Segundo a corporação, serão executados 27 bloqueios judiciais de contas bancárias e aplicações financeiras, bem como o sequestro e arresto de bens de 26 pessoas físicas e uma jurídica, além da constrição judicial de dez veículos em nome de terceiros.

Também foram decretadas seis medidas cautelares diversas da prisão para outras pessoas envolvidas na investigação. Além disso, 28 pessoas serão indiciadas pela prática do crime de tráfico internacional de armas de fogo, lavagem de dinheiro, associação criminosa e falsidade ideológica.

Além de Hortolândia, a PF cumpre mandados em Mogi Guaçu, São Carlos e Capital.

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Adagoberto F. Baptista