Publicado 07 de Março de 2020 - 5h30

O dólar interrompeu ontem uma sequência de 12 altas consecutivas e fechou em baixa de 0,38% no mercado à vista, a R$ 4,6338. No acumulado da semana, porém, a divisa dos Estados Unidos subiu 3,5%, registrando a pior semana desde o início de novembro do ano passado, em meio a renovadas preocupações com os efeitos do coronavírus na atividade, que hoje provocou forte movimento de aversão a risco no mercado financeiro mundial e fez o dólar subir forte nos mercados emergentes.No início da noite, o Banco Central anunciou leilão de dólar à vista para segunda-feira, de até US$ 1 bilhão, o primeiro do tipo na atual disparada da moeda americana. O BC começou o dia injetando mais US$ 2 bilhões no mercado cambial ontem, por meio de leilão extraordinário de swap (venda de dólares no mercado futuro), o que impediu uma disparada maior da moeda, segundo operadores.Desde a volta do feriado de carnaval, o total das intervenções do BC já somou US$ 7,5 bilhões — US$ 5 bilhões somente nesta semana."O BC está cumprindo sua função, mas talvez esteja sendo insuficiente pelo tamanho da incerteza no mercado", avalia a economista do banco Ourinvest, Cristiane Quartaroli. Ela observa que o câmbio aqui vem sendo pressionado pelo cenário externo muito adverso e os juros locais muito baixos, com tendência de cair mais. "O juro real está praticamente zero, com chance de ficar negativo", ressalta ela, destacando que a atratividade do mercado local para estrangeiros fica muito reduzida. Os estrategistas do Citi observam que o BC tem preferido intervenções discricionárias ao anúncio de um pacote mais amplo. "A intervenção parece reduzir o ritmo de depreciação do real, com a moeda tendo desde quarta-feira melhor desempenho que o peso mexicano e no mesmo nível do peso colombiano", ressaltam. Contudo, o Citi alerta que tal desempenho do real não vai durar. Além disso, é preciso que o BC seja menos favorável a mais corte de juros, no comunicado da reunião de política monetária, ressalta o banco. Operadores ressaltam ainda que incertezas políticas contribuem para pressionar ainda mais o câmbio, com a sensação de paralisia no avanço das reformas. Dólar

O Ibovespa fechou ontem em queda de 4,14%, aos 97.996,77 pontos, no menor nível desde 27 de agosto de 2019, quando estava em 97.276,19 . Foi também a primeira vez desde 8 de outubro que o Ibovespa fechou abaixo de 100.000 pontos — na ocasião, encerrou aos 99.981,40 pontos. As perdas nesta primeira semana de março ficaram em 5,93%, após queda de 8,37% ao longo da semana anterior. (Estadão Conteúdo)