Publicado 07 de Março de 2020 - 5h30

A redução das cotações internacionais do preço do petróleo impactou o valor da gasolina e diminuiu o custo do litro nas bombas em fevereiro. No mês passado, o preço médio da gasolina comum nos postos de combustíveis caiu 1,65% em todo País na comparação com janeiro, segundo estudo divulgado ontem pela ValeCard, uma empresa especializada em soluções de gestão de frotas. No entanto, o desconto mencionado em todo o Brasil não foi o mesmo aplicado em Campinas. O que se viu no período, na verdade, foram os postos da cidade apresentando uma redução quase que nula no preço da gasolina (0,52%) e um aumento de aproximadamente 0,8% no valor médio do álcool.

Segundo a ValeCard, em fevereiro,a média do preço da gasolina no Brasil ficou em R$ 4,68, sendo que em janeiro era de R$ 4,76 – uma redução de R$ 0,08. Em Campinas, no entanto, a realidade passou longe desse patamar. No município, a queda foi de apenas R$ 0,02: de R$ 4,38 para R$ 4,36, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Entre os estados, a gasolina mais cara foi encontrada no Rio de Janeiro (R$ 5,10), enquanto a mais barata no Amapá (R$ 4,20). A pesquisa da ValeCard avaliou cerca de 20 mil estabelecimentos brasileiros.

Em março, o cenário da redução de preços em todo o País deve continuar, já que, no início desta semana, o Governo Federal anunciou um novo corte – dessa vez de 4% — nos valores cobrados pela gasolina nas refinarias. Apesar da quinta redução consecutiva, o reajuste nas bombas não é automático, já que entre é preciso considerar, entre outros fatores, a incidência de impostos e a margem do valor de revenda.

Na avaliação de Flávio Campos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de Campinas (Recap), dois fatores, em especial, explicam porque o município não apresentou uma queda drástica no valor do litro da gasolina.

Segundo ele, um dos problemas ocorre porque, em São Paulo, há um nível muito alto de competitividade entre os postos – algo que não acontece em outros estados.

“Além disso, atualmente 65% do mercado é dominado por três distribuidoras – que são a Shell, a BR e o Ipiranga –, que revendem os combustíveis para os postos pelo preço que elas bem entenderem”, afirmou Campos. Acrescentou ainda que as três distribuidoras também fazem preços diferentes em cada estado brasileiro de acordo com interesses próprios.

Reclamações

Para os motoristas campineiros entrevistados ontem, o preço da gasolina praticado na cidade é considerado “revoltante”.

Morador do bairro do Guanabara, o engenheiro Leonardo Hamashiro, de 49 anos, conta que roda quase 100 quilômetros por dia para ir e voltar do trabalho em Americana. Segundo ele, a alta nos preços dos combustíveis testam a paciência dos consumidores. “A gente fica revoltado, porque os aumentos são constantes e quase nunca há queda nos valores”, disse.

Já Gabriel de Souza, de 25 anos, que trabalha há três meses como motorista em uma plataforma de transporte por aplicativo, acredita que os preços praticados nas bombas poderiam ser bem mais em conta.

“Eu não tenho dúvida disso. Tem posto na cidade que está cobrando mais de R$ 4,50 pelo litro da gasolina. Você enche o tanque e dá quase R$ 200,00. Onde já se viu um negócio desse!”, exclamou Gabriel.