Publicado 09 de Março de 2020 - 5h30

Criado em 2003 por um trio de diretores e roteiristas, o Laboratório Cisco, que produz filmes e séries para TV alinhadas com as questões de direitos humanos e da cultura popular brasileira, chega aos 15 anos e para marcar a data programou uma série de atividades culturais no distrito de Barão Geraldo, onde fica a sede da produtora. A programação vai de 12 a 14 de março e inclui festa, shows, mostra de curtas e estreia de dois filmes inéditos: o curta-metragem Pluma Forte, de Coraci Ruiz, e o longa Esquerda em Transe, dirigido pelo documentarista Renato Tapajós, um dos mais respeitados do País, parceiro e uma espécie de mestre dos cineastas da Cisco.

O laboratório nasceu da união de três amigos – Coraci Ruiz, Julio Matos e Hidalgo Romero – com a proposta de trabalharem juntos após se formarem em cinema. “Aos poucos, fomos nos firmando como uma produtora de documentários, sempre com foco nos direitos humanos e na cultura popular”, conta Julio Matos. Ele cita que a Cisco também se aprofundou em formas de financiamento público, o que deu estofo para produção de séries para TV e cinema.

A estreia do longa Esquerda em Transe, de Tapajós, abre a programação na terça-feira, dia 12, com exibição na Adunicamp, dentro do campus da Unicamp. Não está confirmado, mas a produtora pretende promover, após a exibição, um debate sobre o filme com a presença dos diretores Renato Tapajós e Hidalgo Romero. A entrada é gratuita. “Renato Tapajós é uma referência para nós. Seu filme é uma reflexão sobre a crise política que o Brasil viveu e vive, do ponto de vista dele, um antigo militante dos direitos humanos e sociais”, diz Matos. O longo foi feito para ser exibido no CineBrasilTV, mas faz sua pre-estreia na comemoração dos 15 anos.

Na quarta-feira, haverá a estreia do curta-metragem Pluma Forte, dirigido por Coraci Ruiz, seguido de um pocket show da cantora campineira Ieda Cruz, que assina a trilha sonora do filme. O evento será no Macunaíma Pizza Popular Brasileira, em Barão Geraldo, com entrada franca. O filme foi contemplado com o Fundo de Investimentos Culturais de Campinas (Ficc) e tem uma postura militante de defesa da mulher. “É uma obra mais feminista, que trabalha a questão do corpo da mulher. Nele, quatro artistas se expressam através de seus corpos e da arte. As atrizes e Coraci, juntas, escreveram um poema, então trata-se de um filme-poema”, diz Matos.

Fechando a programação, a celebração propriamente dita, na quinta-feira, dia 14, acontece a Festa dos 15 anos da Cisco, com um encontro entre os fundadores e os vários parceiros que ajudam e estão presentes nessa trajetória. Será no Bar do Zé, tradicional point de Barão Geraldo, que está atuando agora com a proposta de se transformar num espaço cultural. “A ideia é fazermos uma ocupação do espaço com exibição de curtas e um pocket-show do violeiro João Arruda”, adianta Matos. A partir das 22h, a festa segue ao som do brega dançante da banda CRAU e a discotecagem feminista da DJ Pagu. O evento é gratuito até as 22h e, após esse horário, a entrada é R$ 5,00.

Sobre a Cisco

A Cisco é uma produtora audiovisual fundada em 2003. O foco do trabalho é a realização de filmes que se alternam entre projetos pessoais de cada um, propostas coletivas e parcerias com outras pessoas e grupos. Assim, foram realizados curtas, médias, longas-metragens, séries para TV, performances audiovisuais, clipes musicais e DVDs de espetáculos. Além disso, a Cisco busca manter um contato permanente com a pesquisa e com a educação, seja por meio da carreira acadêmica de seus integrantes ou pelo oferecimento de oficinas e cursos em diferentes espaços.

“Além de atuar como produtora, a Cisco também faz coproduções, administração. Assim podemos tocar vários projetos ao mesmo tempo. Agora estamos com oito simultaneamente”, diz Matos. Entre eles, está a segunda temporada de Taquaras, Tambores e Violas, série televisiva dirigida por Hidalgo Romero, que apresenta treze instrumentos musicais da cultura popular brasileira, seus sotaques, ritmos e histórias. A primeira temporada está na programação do CineBrasilTV e a segunda já está no forno. Uma série sobre Economia Solidária, outra sobre Conflitos Indígenas, a série Da Nascente à Foz, sobre rios brasileiros que consiste em navegar por um rio da nascente a foz; uma específica sobre o Conflito Guarani-Kaiowá, e outras, inclusive a primeira produção internacional que está em início de negociações com um grupo inglês.