Publicado 08 de Março de 2020 - 19h05

Tranquilo e articulado, Irandhir Santos não se esquiva de olhares e muito menos de perguntas. Após muitos anos dedicado quase que integralmente ao cinema, ele vem ressignificando a tevê em sua trajetória de forma gradual. Sem preconceitos, mas também selecionando bem cada passo, é com o poderoso Álvaro, principal antagonista de Amor de Mãe, que o ator celebra sua participação no vídeo e abraça a popularidade de um personagem que é capaz de tudo para se manter no topo. “Álvaro é muito ambicioso, mas também é capaz de amar de verdade. Acho que todo mundo é meio assim”, ressalta.

Natural da pequena cidade pernambucana de Berreiros, aos 41 anos, Irandhir é um dos atores mais premiados de sua geração. Tudo por conta de desempenhos intensos e arrebatadores em filmes como Baixio das Bestas, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, Tatuagem e A Febre do Rato. Em 2007, o burburinho em torno de seu nome fez com que ele estreasse na tevê em A Pedra do Reino sem a necessidade de testes. Mesmo gostando da experiência sob a direção de Luiz Fernando Carvalho, só retornou aos estúdios da Globo sete anos depois, para papéis de destaque na minissérie Amores Roubados e no “remake” de Meu Pedacinho de Chão. “Voltei e fiquei. Acho que a televisão é um lugar de grandes personagens. Tenho tido muita sorte e vou aproveitando isso enquanto me chamarem”, garante o ator, que também esteve em Velho Chico e na recente Onde Nascem os Fortes.

Irandhir Santos adora mudar de acordo com seus personagens. Mas durante os testes de caracterização e figurino, ficou pensativo com as sugestões da caracterizadora de Amor de Mãe, Gilvete Santos. “Ela me olhou e disse que seria interessante o Álvaro ter a cabeça toda raspada. Ainda não tinha feito um personagem careca e fiquei meio sem reação”, relembra.

A surpresa do ator residia na curiosidade sobre o processo de trabalho de Gilvete. Como resposta, obteve apenas a palavra “poder”. Ao vestir as roupas de Álvaro, já com a cabeça devidamente raspada, Irandhir se olhou no espelho e aí conseguiu entender a ideia geral traçada pela equipe de caracterização. “Foi uma sensação estranha. Enxerguei no reflexo um homem extremamente poderoso e seguro de si. Uma coisa meio “falocêntrica”, que combina muito com o estilo machista do personagem”, valoriza.

A concentração e o jeito com que Irandhir Santos encara a câmera sempre impressionou o diretor de fotografia e cineasta Walter Carvalho. A fixação de Walter com o método de criação de Irandhir ao longo das filmagens do longa Redemoinho, dirigido por José Luiz Villamarim, em 2017, acabou rendendo outro trabalho. Em Iran, documentário carregado de poesia em que Carvalho flagra o ator em seu habitat natural: a atuação. “Não fui nem avisado sobre essas filmagens. Quando vi, o material já existia”, conta.

Fugindo de qualquer viagem ególatra, entre anotações, comentários, entrevistas e exercícios, a produção se utiliza de tom experimental para desnudar Irandhir em cena. “Walter me disse uma coisa que me deixou mais seguro em relação a ser o único nome dessa produção. Iran não é um filme sobre mim, mas sobre a experiência do ator”, analisa. (Da TV Press)