Publicado 05 de Março de 2020 - 19h05

Homenagens a dois gênios da música de todos os tempos – o alemão Ludwig com Beethoven e o campineiro Antônio Carlos Gomes – são o ponto alto da Temporada Artística 2020 da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas (OSMC), anunciada ontem e que prevê em torno de 60 concertos agendados, entre os oficiais, didáticos e populares, com programas que contemplam repertórios diversificados, além de compositores e solistas nacionais e internacionais.

Os 250 anos do genial e revolucionário compositor Ludwig van Beethoven (1770-1827), celebrados por orquestras do mundo todo, marcam a abertura da temporada, neste sábado, no Teatro Castro Mendes; e domingo, na Concha Acústica do Taquaral, com entrada franca. A temporada artística tem início com a monumental Sinfonia nº 9, escrita quando Beethoven já estava totalmente surdo, e especialmente famosa por seu movimento final, que reúne coro e solistas na interpretação dos versos da Ode à Alegria, de Friedrich Schiller. “Será uma apresentação grandiosa, reunindo cerca de 100 coralistas e 80 músicos”, afirmou o diretor artístico e maestro titular Victor Hugo Toro.

“Ao longo do ano, a Sinfônica vai apresentar o ciclo integral das nove sinfonias de Beethoven. É a primeira vez em mais de 30 anos que a orquestra aborda a integral das sinfonias de Beethoven numa só temporada”, colocou o maestro. “A Nona Sinfonia já abriu a temporada em 2013, mas esta é a primeira vez que a Sinfônica apresenta o ciclo integral. Além disso, como parte das homenagens, vamos recriar um concerto organizado pelo próprio compositor em 1808, uma maratona beethoveniana de quase 4 horas, em que foram estreadas várias das maiores obras que ele compôs, com destaque para a Sinfonia nº 5”, ressaltou Toro. A maratona será apresentada em dezembro.

Como Beethoven era um compositor surdo, parte de homenagear seu legado à humanidade é tentar fazê-lo o mais inclusivo possível. Assim, a temporada contará com o apoio da Secretaria Municipal de Direitos da Pessoa com Deficiência e Cidadania, com profissionais em Libras (língua brasileira de sinais) nas apresentações da orquestra. “A proposta é envolver pessoas surdas nas apresentações. Para os cegos acompanhar os concertos é mais fácil, mas a ideia é promover a inclusão de pessoas surdas”, disse o prefeito Jonas Donizete.

O prefeito destacou a relevante atuação da Sinfônica na integração com a sociedade e se comprometeu a garantir sua segurança e estabilidade. "Quero aqui assumir o compromisso para o crescimento da nossa Orquestra. Quero que se sinta segura, forte", afirmou. Sobre a programação, o prefeito elogiou o ecletismo do repertório que traz música erudita e popular. "Muito justa a homenagem a Beethoven, Carlos Gomes e aos nossos sambistas."

Carlos Gomes: 150 anos da estreia de O Guarani

Outra efeméride que será lembrada na temporada 2020 é a celebração dos 150 anos da estreia da ópera O Guarani, de Carlos Gomes, no Teatro Scala, de Milão; e os 50 anos da apresentação da ópera em Campinas, em 1970, na inauguração do Teatro Castro Mendes. “Em setembro, na programação do Mês Carlos Gomes, vamos apresentar a ópera na íntegra, com coro e solistas”, adiantou o maestro, citando que a montagem está sendo pensada há bastante tempo. Até uma parceria com o Scala de Milão foi cogitada, mas não se concretizou. Toro citou ainda que como a montagem da ópera demanda tempo, foi necessário uma redução na temporada da Sinfônica, que terá uma série de dez concertos oficiais. A Sinfônica de Campinas é a única instituição cultural no país que encenará a ópera em forma integral. As duas montagens anteriores – em 1970 e 1986 – também foram completas. Serão ainda realizadas uma exposição comemorativa e uma série de encontros e palestras ao redor da obra. Estão programadas oito apresentações da ópera e cinco espetáculos didáticos para crianças. A OSMC ainda formalizou parceria com a TV Cultura para a divulgação desta importante composição brasileira. “No ano passado, quando a Orquestra completou 90 anos, tivemos uma programação robusta, com 80 concertos. Este ano, vamos novamente fazer uma grande temporada, homenageando Beethoven e os 150 anos da estreia de O Guarani, com a montagem da ópera, numa versão contemporânea”, destacou o secretário de Cultura, Ney Carrasco.

A ópera será apresentada no Castro Mendes. Segundo o maestro, apesar do teatro não dispor do fosso da orquestra, as dimensões do palco permitem colocar em cena os músicos, o coro e o elenco. “Visitamos todos os espaços possíveis na cidade, mas chegamos a conclusão que o Castro Mendes é a melhor opção”, apontou Toro.