Publicado 08 de Março de 2020 - 5h30

Desde a última quinta-feira, dia 5 de março, está aberta no País a chamada janela partidária, uma brecha na lei eleitoral que permite ao vereador trocar de legenda para concorrer à eleição majoritária ou proporcional de outubro, sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária. Essa possibilidade, frisa-se, só vale para os vereadores. Para os deputados, a janela abre-se em outra data. Como mostrou reportagem do Correio, pelo menos cinco vereadores trocarão de partido. O prazo final para a mudança é 3 de abril.

Obviamente que a troca é legítima, afinal, os entendimentos que costuraram a filiação deste vereador no passado podem não mais estar sendo honrados. Negociações políticas e visões para lidar com determinado tema também costumam azedar relações, fechando espaços para uns e abrindo para outros. A janela, em si, não é um problema. O que, na verdade, conspira contra a maturidade política brasileira é a quantidade absurda de partidos, o leque extremo de visões ideológicas e a própria desidratação do conteúdo programático das legendas, muito dependentes do momento e do governante de ocasião. É o famoso fisiologismo.

O Brasil tem hoje 33 partidos devidamente legalizados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O órgão, para se ter uma ideia da multifacetada política brasileira, tem nada menos que 76 pedidos para a formalização de novas agremiações partidárias. Um exagero e uma anomalia. Qual base política que resiste a um mosaico desse temanho? A quem representa cada uma destas legendas? Quais ideias inspiraram a criação delas? Que programas defenderão caso assumam o poder? Qual a garantia de que os filiados terão voz no governo ou na cadeira parlamentar? São indagações que, seguramente, ficam comprometidas diante do descalabro e da falta de identidade da maioria esmagadora dos patidos.

Também na última quinta-feira, o Correio mostrou que duas legendas em formação, lideradas por moradores da Região Metropolitana de Campinas (RMC), estão virtualmente fora das eleições 2020 por não alcançarem o número de fichas exigido pela Justiça Eleitoral. Ficarão apenas no desejo a Aliança Renovadora Nacional (Arena) e o Partido Cristão (PC).

O Brasil não precisa de mais partidos. Ao contrário, é necessário uma ampla reformulação capaz de eliminar legendas de aluguel e aquelas sem qualquer representatividade nacional. A política continuará patinando se essa “babel” continuar ditando o ritmo da nação.