Publicado 07 de Março de 2020 - 5h30

Amanhã, 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. A data foi oficializada pela Organização das Nações Unidas em 1975 e celebra as conquistas femininas ao longo dos tempos. Serve também, e principalmente, para refletir sobre a dura realidade diária ainda enfrentada pelas mulheres em todo o mundo.

No ambiente do trabalho, a desigualdade entre gêneros já foi pior, mais ainda persiste. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o salário de pessoas do sexo feminino é 20,5% menor, em média, do que os homens. Outro estudo mostra que apenas 19% dos cargos de liderança nas empresas são ocupados por mulheres. Dado preocupante: metade das mulheres que têm filhos perde o emprego em até dois anos depois da licença-maternidade, de acordo com levantamento da Fundação Getúlio Vargas. Outro problema grave é a violência. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a cada dois minutos uma mulher é vítima de violência doméstica no Brasil. Em 2019 ocorreu um feminicídio a cada sete horas e em três anos foram mais de 3,2 mil mortes. Os números são assustadores e falam por si.

Do ponto de vista de representação, o Dia da Mulher carrega uma importância histórica na luta pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino. No Brasil, as movimentações das mulheres pelos seus direitos iniciaram na década de 20 e ganharam força com o direito ao voto na Constituição promulgada por Getúlio Vargas em 1932. As mulheres são hoje a maior parte do eleitorado (52,63%), mas o País figura como um dos que têm menor representação feminina na política.

Por tudo isso, é importante que a sociedade como um todo se mantenha vigilante, para que não ocorram retrocessos, mas a concretização de avanços e a igualdade de oportunidades para as mulheres. É necessário o fortalecimento das redes de apoio, associações que busquem o empoderamento feminino e a ampliação de movimentos contra a violência e pelo cumprimento das leis — como a Maria da Penha — que evitem e punam abusos e mortes.

A boa notícia é que na contramão da opressão e mesmo com tantos problemas e dificuldades sociais e familiares, as mulheres têm sim progredido na vida profissional e comunitária — mesmo que num ritmo menor do que se gostaria. Elas estão conquistando novos espaços, por competência e com muita luta, galgando posições de chefia, buscando assegurar sua plena liberdade e ter garantidos seus direitos fundamentais.