Publicado 05 de Março de 2020 - 5h30

Pelo menos cinco vereadores de Campinas mudarão de partido a partir de hoje, quando começa o período da janela partidária, uma brecha na lei eleitoral que permite ao vereador trocar de legenda para concorrer à eleição majoritária ou proporcional de outubro, sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária. A primeira troca será a do vereador Rubens Gás, que deixa o PSC e ingressa hoje no DEM.

Além dele, Jorge Schneider que decidiu sair do PTB após a executiva estadual do partido impor a Delegada Terezinha como pré-candidata a prefeita pela legenda e nomeá-la presidente local do partido. Schneider se filiará ao PP. O vereador Cidão Santos deixará o PROS e ingressa no PSL.

Aurélio Cláudio, atualmente no PMB, irá para o PDT e Campos Filho deixa o DEM e ingressa no Podemos. Há ainda possibilidade dos vereadores Permínio Monteiro e Rodrigo da Farmadic trocarem de legenda. Permínio foi expulso do PV de Campinas em janeiro, acusado de infidelidade partidária por apoio explícito ao deputado estadual Rafa Zimbaldi (PSB) para prefeito em 2020. A questão é que o PV já definiu que o candidato do partido na eleição majoritária de outubro é o secretário do Verde, Rogério Menezes. O vereador, que recorreu à executiva estadual, disse que vai aguardar a decisão ao recurso para definir os rumos que irá tomar.

Rodrigo da Farmadic (PP) vem conversando com o comando do DEM em Campinas e sua migração está praticamente acertada. Ele informou que vai aguardar o encaminhamento que o PP dará para a eleição — se terá candidato próprio a prefeito, ou apoiará outro partido — antes de decidir.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autoriza mudanças até o dia 3 de abril e a janela é exclusiva para vereadores. Deputados que eventualmente queiram mudar de legenda para concorrer na eleição de outubro estão impedidos pela legislação — para eles, a janela só se abrirá em 2022. Para o pleito deste ano, a única possibilidade de troca de legenda sem perda do mandato parlamentar é via expulsão pelo partido atual.

As negociações em Campinas entre vereadores e partidos estão intensas, na tentativa de ampliar suas bancadas no próximo ano na Câmara Municipal. O motivo é que um candidato já detentor de um mandato leva vantagem sobre aquele que não está no mandato, porque pesam favoravelmente o fato de ser conhecido da população por ter feito campanha antes e ter conseguido convencer o eleitor a votar nele.

Além disso, passou quatro anos trabalhando não apenas nas suas atividades decorrentes do mandato, mas também em sua imagem política, apoiado em uma estrutura do mandato oferecida pela Câmara, como assessores, cota de correio, que facilitam o trabalho de divulgação de sua imagem.