Publicado 05 de Março de 2020 - 5h30

No início de 2019, assim que o presidente Jair Bolsonaro assumiu, havia no setor produtivo uma expectativa de indisfarçável otimismo. Projetava-se como certas a retomada do crescimento econômico e a redução do desemprego. Apostava-se que a roda da economia voltaria a girar de novo com força e traria esperança de melhoria na qualidade de vida de milhões de brasileiros. Muitos especialistas chegaram a falar em crescimento de até 3% para o Brasil em 2019.

O ano, no entanto, acabou e o IBGE nos apresenta o PIB (Produto Interno Bruto) – que é a soma de toda a riqueza produtiva no País — de 1,1%, desempenho que provocou enorme frustração. O número não apenas ficou muito abaixo da expectativa como se mostrou como o menor resultado em três anos. Ficou, na verdade, no nível de 2013 e se transformou na mais fraca recuperação de recessão já vista no País.

Os motivos são muitos. O pífio desempenho da economia vem de fatores externos – como crises internacionais do petróleo, crescimento menor dos chineses, oscilações nos mercados europeus e norte-americano. Fatores internos importantes também contribuíram para o resultado, como a crise desencadeada pelo desastre de Brumadinho, por exemplo.

Mas a contribuição maior veio mesmo do mercado interno e das oscilações na condução do primeiro ano de governo, até naturais para arrumar a casa. Mas a verdade é que Bolsonaro mostrou certa dificuldade em negociar as reformas com o Congresso. A da Previdência, por exemplo, saiu após costura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que assumiu a proposta e a fez andar nas casas legislativas. Houve bastante desencontro e falta de articulação no Planalto.

Bolsonaro transformou pautas secundárias – como a nomeação do filho à embaixada nos Estados Unidos, por exemplo – em prioridade. Brigou por política ambiental equivocada, enxergou conspirações no Congresso onde não havia, afrontou seguidamente a imprensa, atacou antigos aliados, destruiu pontes. Com tudo isso, introduziu níveis de insegurança (até mesmo jurídica).

O problema se torna ainda mais dramático porque, para este ano, o mundo enfrenta a sombria ameaça do novo coronavírus e que já está afetando a economia em diferentes partes do mundo. A região de Campinas, já tem fábricas paradas e trabalhadores em férias coletivas por causa disso. O que se vislumbra, portanto, é mais um ano difícil, o que nos leva a concluir que não podemos mais errar, sob pena de recolocar o País numa nova e penosa recessão.