Publicado 08 de Março de 2020 - 14h00

Por Daniela Nucci

Ato reuniu 4 mil pessoas, de acordo com os organizadores, e mil, segundo a Polícia e Guarda Municipal

Leandro Ferreira/AAN

Ato reuniu 4 mil pessoas, de acordo com os organizadores, e mil, segundo a Polícia e Guarda Municipal

Um ato das mulheres contra o governo de Jair Bolsonaro, por democracia, defesa de seus direitos e por justiça no assassinato da vereadora Marielle Franco, foi realizado na manhã de ontem no Largo do Rosário, no Centro de Campinas.

Durante o movimento, foram colhidas assinaturas da população para pedir às autoridades — via abaixo assinado — a realização de uma campanha de combate à violência contra a mulher.

Ato reuniu 4 mil pessoas, de acordo com os organizadores, e mil, segundo a Polícia e Guarda Municipal

O ato foi organizado pelo Comitê de Mulheres pela Democracia, que congrega várias entidades, sindicatos, partidos de esquerda e movimentos populares.

Para os organizadores, cerca de 4 mil pessoas participaram do protesto. De acordo com a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal (GM), o movimento reuniu mil pessoas.

A coordenadora do comitê regional da Marcha Mundial das Mulheres, Lourdes Simões destacou que o ato teve por objetivo dar visibilidade à luta das mulheres, que corre no dia a dia. “Saímos às ruas pelo fim da atual política econômica, que acaba com saúde e educação, que retira recursos e investimentos de políticas públicas que afetam diretamente as mulheres, e também pelo enfrentamento à violência que cresce a cada ano.” Ela disse que, a cada hora, 536 mulheres sofrem violência no Brasil.

Ato reuniu 4 mil pessoas, de acordo com os organizadores, e mil, segundo a Polícia e Guarda Municipal

“Queremos o fim da violência contra a população negra e jovem das periferias e favelas, e a população LGBT. Sabemos que a violência é resultado da desigualdade, do racismo crescente e impregnado neste governo. Acreditamos que com Bolsonaro e seus aliados, não temos possibilidade de ter uma vida digna, com direitos, e livre de violência”, afirmou Lourdes.

Há 32 anos na luta em defesa das mulher, Cleudiran Sales Dias, da União Brasileira de Mulheres, destacou: "É um dia de reflexão e de luta para avançarmos nas mudanças, com a participação das mulheres, e combatermos as desigualdades sociais existentes no País."

Participando pela primeira vez num movimento como este, a funcionária pública Maria das Dores Silva, de 55 anos, considera a iniciativa de extrema importância. "É necessário um movimento como este, principalmente, no atual governo, com o aumento dos casos de feminicídio", disse Maria.

O vendedor Carlos José, de 43 anos, também esteve no Largo do Rosário e aprovou a ação. "Acho que as mulheres devem se unir contra qualquer tipo de machismo e violência. Todos devem ser tratados igualmente e terem seus direitos respeitados", comentou Carlos.

Ato reuniu 4 mil pessoas, de acordo com os organizadores, e mil, segundo a Polícia e Guarda Municipal

Muitos grupos culturais também deram força ao manifesto como o Maracatucá, de Barão Geraldo.

"As manifestações culturais são uma das formas das mulheres gritarem por seus direitos e contra a violência", disse Nilvanda Sena, coreógrafa do grupo.

No final, os manifestantes fizeram uma caminhada pelas ruas do Centro da cidade com cartazes, panfletos, músicas e danças.

Cerca de 30 policias militares acompanharam o protesto. A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) orientou o tráfego para a passagem dos manifestantes pelas ruas centrais.

Caravana a São Paulo

Hoje, no Dia Internacional da Mulher, haverá uma caravana, com sete ônibus, de Campinas para o grande Ato Estadual das Mulheres, que ocorrerá em São Paulo, na Avenida Paulista, a partir das 14h.

Bolsonaro convoca para o ato do dia 15

O presidente Jair Bolsonaro convocou ontem a população a participar dos protestos marcados para o próximo dia 15, apesar da crise gerada entre Legislativo e Executivo durante esta semana devido a esse mesmo assunto. Em vídeo publicado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Twitter, o presidente disse que a manifestação é "espontânea" e "pró-Brasil", e não contra o Congresso ou o Judiciário. "Participem e cobrem de todos nós o melhor para todo o Brasil", declarou em evento em Boa Vista, Roraima, antes de viajar para Miami, nos Estados Unidos.  Bolsonaro ainda disse que quem diz que os protestos do dia 15 são contra a democracia está mentindo. "É um movimento que quer mostrar para todos nós que quem dá norte para o Brasil é a população". 

Indignação

A declaração de Bolsonaro gerou indignação no Legislativo e Judiciário. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cosiderou a “stuação grave”. Ele e o presidente do STF, Dias Toffoli, cogitam fazer uma manifestação conjunta dura sobre o assunto. (EC)

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Daniela Nucci