Publicado 08 de Março de 2020 - 1h22

Por Gilson Rei

Grupo de mulheres atravessa a Av. Francisco Glicério no Centro de Campinas: cresce a participação feminina na população economicamente ativa

Wagner Souza/AAN

Grupo de mulheres atravessa a Av. Francisco Glicério no Centro de Campinas: cresce a participação feminina na população economicamente ativa

As comemorações de hoje - dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher - chegam em Campinas com mais um dado que reforça os tempos de empoderamento feminino: as mulheres representam 49% da população economicamente ativa em Campinas, seguindo as estatísticas que surgem na região e em todo o País. O dado demonstra que as mulheres avançam 1% a cada ano nesta participação e, se o ritmo for mantido, até o final deste ano elas deverão ultrapassar os homens.

Segundo levantamento feito pelo departamento de Economia da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), as mulheres já representam quase a metade da população economicamente ativa em Campinas, pois os registros mostram o índice de 49% para o gênero feminino e 51% para o masculino nas atividades econômicas do mercado de trabalho.

O levantamento revela que 332,9 mil profissionais são do gênero feminino e 416,3 mil são do masculino, confirmando a importância e impacto da força de trabalho feminina na sociedade contemporânea. Na Região Metropolitana de Campinas (RMC) as estatísticas seguem o mesmo patamar. Estão em atividade profissional 923,6 mil trabalhadoras na RMC — representando 45% do total, ou seja 1,1 milhão trabalhadores — que somam 55% de participação.

Os números mostram que neste ano, as mulheres poderão superar os homens pela primeira vez nestas pesquisas sobre população economicamente ativa. Em 2016 e 2017, os índices apontaram que as mulheres representavam 47,5% deste contingente e que os homens totalizavam 52,5%.

Uma alavancada nas estatísticas começou em 2018, quando as mulheres chegaram a 48%, mantendo o crescimento em 2019 com 49% do total. Os homens seguem o movimento contrário e perdem a cada ano 1% de participação no mercado de trabalho.

A participação das mulheres economicamente ativas não para de crescer em Campinas. Em 2016 eram 307,2 mil profissionais; passando para 319,9 mil no ano seguinte e para 329 mil em 2018. No ano passado, as mulheres já representavam 332,9 mil profissionais na população economicamente ativa.

Outra informação que mostra o empoderamento feminino crescente revela que, em 2019, Campinas foi a segunda colocada no Estado de São Paulo com maior número de mulheres empreendedoras que geraram empregos, de acordo com números do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), perdendo apenas para a Capital paulista. Ao todo, 9,6 mil mulheres possuíam funcionários em seus empreendimentos na cidade. Campinas perdeu apenas para a Capital, que comprovou o registro de 46 mil empreendedoras gerando empregos.

Entidade cria conselho para tratar apenas de mulheres

Pensando em ampliar a visão sobre o empoderamento feminino e a participação da mulher na sociedade que a Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic) criou o Conselho da Mulher Empreendedora, em 2015.

O Conselho foi idealizado pela presidente da entidade, Adriana Flosi, que tomou a iniciativa com base em sua própria experiência profissional. Empresária na área de educação e de eventos, Adriana foi a primeira mulher a ocupar a presidência da Acic, em 2010, época em que a entidade completava 90 anos.

Adriana destacou a ideia foi garantir a participação plena e efetiva das mulheres no mercado de trabalho e nas posições de liderança das organizações. "Com isto, foi possível abrir espaço para a voz feminina em todos os níveis de tomada de decisão, seja na vida pública ou na iniciativa privada" , afirmou.

O Conselho da Mulher Empreendedora foi criado com o objetivo de impulsionar a cultura empreendedora entre as mulheres e ajudá-las a superar os desafios de empreender. Até o ano passado, mais de 2,5 mil empreendedoras buscaram apoio no Conselho.

Estas mulheres ocupam cargos de liderança, com mais conteúdos relevantes, tais como inovação, gerenciamento e administração, marketing digital, identidade visual, desenvolvimento web, uso do LinkedIn para negócios, planejamento de marketing para PMEs, gestão de processos, finanças, inteligência emocional e liderança.

Adriana explicou que apesar de todas as conquistas, muito tem que ser realizado para chegar a uma situação igualitária das mulheres na sociedade. Ela citou como exemplo um estudo divulgado no final de dezembro de 2019, pela Organização das Nações Unidas (ONU).

O estudo aponta que as brasileiras têm mais estudo que os homens, porém, a renda ‘delas’ é 41,5% menor que a ‘deles’. "Foi pensando em ampliar a visão sobre o empoderamento feminino e a participação da mulher na sociedade que a Acic criou o Conselho da Mulher Empreendedora, em 2015" , disse.

Adriana defende a igualdade no mercado de trabalho e criação de cotas. "A equidade de gênero começa em casa. Por isso, quando assumi a presidência da associação busquei ocupar metade dos cargos com mulheres”, disse.

Maioria investe em nichos do universo feminino

As atividades mais comuns entre as mulheres na categoria Microempreendedor Individual (MEI) são as atividades de tratamento de beleza (95,9%), serviços domésticos (95,6%) e a fabricação de artigos de vestuário (94,8%).

A cabeleireira Zenilda Rodrigues da Costa Guatura: 25 anos no ramo

A cabeleireira Zenilda Rodrigues da Costa Guatura, por exemplo, é um exemplo a ser mostrado. Sua trajetória é de muita luta, batalha e força para vencer as barreiras e as dificuldades impostas pela sociedade machista. Há 25 anos, ela decidiu atuar como cabeleireira e foi buscar cursos de especialização, que deram as primeiras noções na profissão. Depois, foi buscar conhecimento em administração e finanças básicas para poder montar seu próprio salão.

Zenilda explicou que não foi nada fácil, mas não desistiu. "Tinha que arregaçar as mangas e seguir em frente, vencendo os preconceitos para provar que eu era capaz" , comentou. "Os cursos me deram a base e eu apliquei as regras para saber onde aplicar e ter controle das finanças e da administração do salão, das compras de produtos e equipamentos. Afinal, não bastava ser uma boa cabeleireira" , disse.

Com o passar dos anos, foi melhorado a situação financeira de Zenilda e até ajudou a manter sua família em alguns períodos difíceis. "Meu marido é engenheiro agrônomo e tem boa colocação atualmente, mas houve períodos em que ele esteve desempregado e quem manteve a família e os filhos foi a renda do salão" , afirmou. Atualmente, é proprietária do Espaço Z Ateliê de Beleza, no bairro Nova Campinas e conta com oito funcionárias e cinco parceiras em períodos de maior demanda.

A chef chocolateira Tatiana Duarte Moreira: formação em Nutrição

Outro exemplo é da chef chocolateira Tatiana Duarte Moreira, que tornou-se MEI em sua residência, há oito anos e é atualmente proprietária da Cacau Pitanga. Tatiana revelou que teve uma formação em Nutrição e Administração e atuou por muitos anos nestas profissões em empresas. "Decidi partir para um empreendimento individual, utilizando minha experiência e conhecimento" , afirmou.

A chef passou por muitas dificuldades e preconceitos por ser mulher, mas disse também que nunca desistiu de lutar e mostra seu valor. "As mulheres estão ganhando espaço, mas ainda existe muita barreira para ser vencida. O sucesso na carreira não é fácil para ninguém, principalmente para as mulheres que ainda têm que superar alguns preconceitos" , revelou.

Depois de muita batalha e trabalho, seu empreendimento começa a surtir efeitos positivos e atualmente faz bolos e doces com base em chocolates para eventos, aniversários e datas comemorativas, principalmente Páscoa e Natal, na confecção de ovos de páscoa e chocotones.

Escrito por:

Gilson Rei