Publicado 08 de Março de 2020 - 1h21

Por Henrique Hein

Principais demandas da casa são os alimentos que costumam compor a cesta básica como arroz, feijão, leite, macarrão, óleo e farinha de trigo

Leandro Ferreira/AAN

Principais demandas da casa são os alimentos que costumam compor a cesta básica como arroz, feijão, leite, macarrão, óleo e farinha de trigo

O Lar dos Velhinhos de Campinas está precisando de doações. O espaço, que existe há 115 anos na cidade, tem dificuldades para cuidar de 114 idosos que atualmente vivem no local. A instituição sobrevive basicamente da ajuda de doadores e contribuintes, pois o valor recebido com repasses do Governo do Estado representa apenas 8% das despesas do asilo – o custo total de manutenção é de R$ 6 milhões por ano. “A questão financeira é o que mais atrapalha. Nós estamos sofrendo com a falta de insumos básicos na alimentação. Para atender a essa demanda, estamos tendo que tirar investimentos de outros serviços essenciais”, explica a gerente de comunicação do instituto, Natália Chaves.

Segundo ela, entre as principais demandas da casa estão os alimentos que costumam compor a cesta básica como arroz, feijão, leite, macarrão, óleo, farinha de trigo, açúcar, molho de tomate, entre outros. “A gente está com necessidades tão pequenininhas que se cada campineiro decidisse fazer uma doação, nos ajudaria demais a manter os nossos serviços”, explica. Para fazer uma doação pontual, basta entrar em contato com a instituição pelo telefone fixo: (19) 3743-4300. Quem preferir também pode mandar mensagens no WhatsApp da organização no número: (19) 99688-4945. Os interessados em ajudar também podem deixar as doações na portaria do espaço, localizado na Rua Irmã Maria Santa Paula Terrier, número 300, no bairro Vila Proost de Souza.

Dentre os atuais assistidos do asilo está o baiano de Ilhéus, Ercílio Jacques, de 74 anos, que se mudou ainda novo para Brasília para ajudar na construção da atual capital do País. É com alegria estampada no rosto que ele conta que está no Lar dos Velhinhos há 14 anos e que não imagina sua vida longe do instituto. “Isso aqui é um paraíso para mim, porque onde eu estava antes de vir para cá me dava tristeza. Eu separei do meu casamento e fui morar numa pensão. Lá, tinha muito roubo e a gente ficava exposto há uma sensação horrível de violência diária. Eu só tenho que agradecer a Deus por estar aqui”, revela.

A sensação de paraíso no ar, também é sentida pela paciente Ângela Martinucci, de 83 anos, que em março fará quatro ano de Lar dos Velhinhos. “É um lugar gostoso para gente viver, porque aqui não somos tratados como um prisioneiro num asilo. Aqui tem de tudo: a gente passeia, faz viagem para outros lugares, tem fruteiras e eu saio por aí pegando frutas fresquinhas, eu ocupo a minha cabeça fazendo artesanato, jogando dominó com minhas amigas e ainda tenho tempo para estudar todas as segundas e sextas-feiras. É aula tipo de escola mesmo. Sabe? Enfim, eu adoro tudo que tem aqui”, disse.

Além das doações, Natália também convida a população a fazer uma visita a sede da entidade. O horário de visitação ao espaço acontece todas as segundas, terças, quintas e sextas-feiras, das 15h as 18h; e no final de semana (sábado e domingo), das 14h as 16h30. “Temos uma necessidade de que as pessoas entendam o que acontece aqui dentro. Às vezes, a pessoa mora em Campinas uma vida inteira, tem condições de ajudar, mas não faz ideia do que se trata o projeto (…) Venham conhecer o Lar dos Velhinhos para que a gente possa montar – de maneira gradual – uma corrente para que nunca mais falte nada aqui dentro. Hoje, os nossos problemas são os alimentos, mas amanhã pode ser um produto de higiene”, alerta.

Jornalista e delegado fazem história

Criado no início do século passado, em meio a uma Campinas que crescia de maneira desordenada, sem planejamento social e urbano, o Lar dos Velhinhos surgiu como uma forma de acolher pessoas e amenizar o número de desabrigados em condições sub-humanas que viviam pelas ruas da cidade. A ideia de abrir o espaço partiu do jornalista Antônio Sarmento, que iniciou uma campanha na imprensa para que fosse criado um local de atendimento para os mais necessitados.

Foi quando no dia 25 de julho de 1904, Paulo Machado Florence – então delegado de polícia da cidade – deu início as tratativas para erguer o espaço e reuniu um grupo de personalidades da expressão da época, como Joaquim Villac, João de Paula Castro e Virginio Jacobsen, para fundar, inicialmente, o “Asylo de Inválidos”. Com os anos, a maior parcela dos carentes em abandono no local passou a ser de idosos. Isso fez com que a instituição se especializasse ao longo das décadas para que, em 1972, reformulasse seu nome para Lar dos Velhinhos e passasse a atender somente o público da terceira idade. Desde sua origem, a instituição jamais teve vínculos religiosos ou partidários.

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Henrique Hein