Publicado 06 de Março de 2020 - 7h42

Por Das Agências

Passageiros circulam com máscaras contra o novo coronavírus (Covid-19) no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro

Fernando Frazão/Agência Brasil

Passageiros circulam com máscaras contra o novo coronavírus (Covid-19) no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro

O Brasil tem oito casos confirmados do novo coronavírus e já há transmissão local da doença, segundo balanço divulgado ontem pelo Ministério da Saúde. São seis casos em São Paulo, um no Rio de Janeiro e outro no Espírito Santo. Uma mulher de 23 anos tem teste positivo no Distrito Federal e aguarda contraprova. O caso confirmado no Espírito Santo é de um homem de 37 anos que esteve na Itália. O número de casos suspeitos para doença subiu de 531 para 636 de quarta para eontem. Já foram descartados 378 análises. Os Estados com mais casos suspeitos são: São Paulo (182), Rio Grande do Sul (104), Minas Gerais (80) e Rio de Janeiro (79).

De acordo com o ministério, já há transmissão local da doença. Duas pessoas foram infectadas no Brasil pela primeira pessoa confirmada com a doença — um homem de 61 anos, morador da Capital, que esteve na Itália. Uma delas esteve em confraternização do paciente com cerca de 30 familiares.

Como estes dois casos não foram "importados", pois os pacientes pegaram a doença no Brasil, o País passa a ter transmissão local do vírus. Com isso, é possível que a OMS insira o Brasil na lista de territórios monitorados para a doença.

O secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira, disse que o Brasil ainda não tem "transmissão sustentada". "O vírus não está produzindo doentes que não conseguimos identificar qual é a fonte", disse Oliveira. Só China, Itália e Coreia do Sul têm transmissão sustentada da doença, disse Oliveira.

A paciente com suspeita, no Distrito Federal, esteve na Inglaterra e Suíça, de 25 de fevereiro a 2 de março. O exame positivo foi feito em hospital da rede privada e passará por contraprova.

O primeiro caso de coronavírus no Estado do Rio de Janeiro foi anunciado ontem, também pelo governo do Estado. O paciente, de 27 anos, mora em Barra Mansa e esteve na Europa, passando pela Itália, no período de 9 a 23 de fevereiro. O paciente procurou uma unidade de saúde em 1 de março, e passa bem, de acordo com as autoridades. No Estado do Rio existem 79 casos monitorados.

A confirmação desse caso foi feita durante entrevista coletiva concedida no Palácio Guanabara (sede do governo do Estado), pelo secretário estadual de Saúde, Edmar Santos.

Atípico

Existe um caso atípico em São Paulo, dentre os confirmados. Uma jovem de 13 anos retornou da Itália, não apresentou sintomas, mas teve a presença do vírus confirmada no organismo. Ela procurou atendimento médico por outro motivo — realizou uma cirurgia na Itália para recuperar os ligamentos rompidos do joelho e começaria o processo de recuperação no Brasil. E, durante os procedimentos médicos, os exames detectaram o vírus.

Quatro elementos levaram à definição do caso como confirmado: pelo resultado do exame, pelo local provável de infecção (Itália), pela possibilidade da medicação após tratamento de uma lesão ter mascarado os sintomas e pela possibilidade de ainda ter sintomas nos próximos dias. Mesmo sem sintomas, a jovem pode transmitir a doença.

Instituto CPFL suspende todas atividades por dois meses

O Instituto CPFL suspendeu ontem suas atividades pelos próximos dois meses (março e abril) por causa do novo coronavírus (Covid-19). Em nota, o instituto explicou que a decisão foi tomada em razão da evolução dos riscos à saúde que a doença pode proporcionar e das recomendações do Ministério da Saúde, que alerta a população para evitar locais com aglomerações, ambientes fechados sem ventilação e deslocamento aéreos sem extrema necessidade.

A medida vai impactar programas como: o Cine CPFL, o Café Filosófico e as Exposições de Artes. “Essa é uma medida inabitual, que visa zelar por um ambiente saudável para o público visitante, colaboradores, fornecedores e a comunidade em geral”, explica Mário Mazzilli, diretor-superintendente do Instituto CPFL.

Atualmente, a Região Metropolitana de Campinas (RAC) contabiliza 16 casos suspeitos, sendo 11 em Campinas, um em Americana, um em Hortolândia, dois em Valinhos e um em Vinhedo. No final da tarde de ontem, dois municípios da região informaram que passaram a investigar mais um caso suspeito da doença em suas respectivas cidades. Em Americana, as atenções estão voltadas para uma mulher, de 61 anos, que retornou da Itália, na última terça-feira. Já em Vinhedo, o paciente é um homem, de 74 anos, que é marido da mulher, de 63 anos, que já vinha sendo monitorada pelos agentes de saúde do município.

A mulher de Americana que está sob suspeita de contaminação do coronavírus viajou para Roma, capital italiana, no dia 20 de fevereiro. Ela apresentou os sintomas da doença, como febre, tosse, dor muscular, dor de cabeça e dor de garganta, no dia 29 do mês passado, mas não procurou por um atendimento de imediato.

Como o quadro clínico dela não melhorou ao longo dos dias, ela foi ao Hospital Unimed, de Americana. No local, os médicos a classificaram como uma pessoa suspeita de contaminação e sugeriram o isolamento domiciliar, com uso de máscara. Seu quadro de saúde é considerado estável.

Em Vinhedo, a Prefeitura informou que o idoso com suspeita de coronavírus apresentou os sintomas na terça-feira e que ele procurou por atendimento médico em um hospital de Valinhos na quarta-feira. Assim como sua mulher, ele também está em isolamento domiciliar, aguardando o resultado do exame, que já foi encaminhado ao Instituto Adolfo Lutz para análise. (Henrique Hein/AAN)

Fechamento de escolas é inédito

Roma amanheceu deserta ontem, sem turistas e estudantes. É o retrato de um país blindado e isolado diante da epidemia do novo coronavírus depois das medidas extraordinárias adotadas pelo governo italiano com o fechamento inédito de escolas e universidades. O balanço atual no país é de 148 mortos para 3.858 casos.

No total, cerca de oito milhões e meio de estudantes deverão permanecer em casa até meados de março, uma medida sem precedentes para evitar que se propague o vírus e o sistema de saúde entre em colapso.

As portas de um dos colégios públicos mais conhecidas da capital, o Liceo Visconti, no coração de Roma, não foram abertas e a praça onde normalmente dezenas de estudantes se reúne ficou vazia.

O mesmo aconteceu em outro colégio histórico, o Julio César, onde a diretora, Paola Senese, organizava uma maneira de manter as aulas pela internet em meio a um prédio com corredores sem ninguém, com expediente somente dos funcionários do setor administrativo.

"As aulas estão suspensas, por isso estamos tentando ajudar os professores para que tenham todas as informações e dicas para conseguir manter o vínculo didático com os alunos."

O fechamento de creches, escolas primárias, colégios, escolas secundárias e universidades nunca aconteceu na história da Itália, já que até mesmo durante a Segunda Guerra elas foram mantidas, apesar dos bombardeios dos aliados.

O fechamento de escolas em 13 países para deter a propagação do novo coronavírus levou ao cancelamento de aulas de 290,5 milhões de crianças e jovens em todo o mundo, um número sem precedentes, segundo informações divulgadas pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura).

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