Publicado 05 de Março de 2020 - 18h59

Por Carlo Carcani Filho

O Guarani tem um jogo difícil hoje à noite em Itu, onde o time da casa conquistou sete dos últimos nove pontos disputados. O momento de instabilidade do Bugre — quatro partidas seguidas sem vitória, sequência inédita desde que o técnico Thiago Carpini assumiu o cargo, no final de agosto — aumenta o grau de dificuldade da partida, já que o time entrará em campo pressionado.

Na minha avaliação, Carpini cometeu um ou outro erro nas últimas semanas. No 0 a 0 com o Água Santa, por exemplo, ele foi forçado a fazer uma alteração já no primeiro minuto. Ao escolher Marcelo — um primeiro volante — para substituir Igor Henrique, deixou o adversário mais à vontade na partida.

O resultado foi ruim, mas alguns torcedores já andam insatisfeitos com o treinador na arquibancada e nas redes sociais. Quem pensa assim deve avaliar o trabalho do treinador como um todo.

Antes de mais nada, é importante lembrar que Carpini impediu um rebaixamento que parecia certo. Ele assumiu um time que era, “com louvor”, o pior da Série B. Nas mãos de Vinícius Eutrópio e Roberto Fonseca, o Bugre acumulou derrotas e atuações sofríveis. Sob o comando de Carpini, o Guarani evoluiu muito e garantiu, com algumas rodadas de antecedência, a permanência na divisão.

Impedir o retorno à Série C em situação tão adversa foi uma façanha. Carpini livrou o Guarani de disputar uma divisão inexpressiva e extremamente deficitária, sem cota de TV.

Quem acompanha um pouco do futebol brasileiro sabe que uma campanha brilhante nem sempre mantém o prestígio do treinador na temporada seguinte. O torcedor brasileiro, de modo geral, não leva em consideração as condições de trabalho, a diferença de orçamento e o histórico do profissional. Muitos acham que o time tem a obrigação de ganhar sempre, em qualquer situação.

Só mesmo esse perfil — muito diferente do torcedor argentino, por exemplo — explica que o time de Carpini seja vaiado nesse momento. O Guarani mostra um futebol muito melhor do que o do ano passado e está na briga pela classificação no Grupo D, o que não era esperado nem pelos bugrinos mais otimistas.

Ainda vejo Red Bull e Corinthians como favoritos à conquistas das vagas nas quartas de final, mas isso não significa que Carpini mereça vaias. Ele errou em alguns jogos e vai errar em outros, mas o balanço de seu trabalho é positivo. Em 2019, o Guarani amargou duas sequências de oito jogos sem vitórias. Jogava mal e não conseguia levar a bola até a intermediária. Esse cenário melhorou muito graças ao trabalho de Carpini. Ele merece apoio — e não vaias — nesta reta final do Paulistão.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho