Publicado 09 de Março de 2020 - 7h55

Por AFP

O ex-primeiro-ministro escocês Alex Salmond, grande defensor da independência do país e político que caiu em desgraça, será julgado a partir desta segunda-feira por supostas agressões sexuais contra 10 mulheres, incluindo duas tentativas de estupro, que ele nega com veemência.

Chefe do Governo autônomo escocês de 2007 a 2014, Salmond, de 65 anos, chegou à Alta Corte de Edimburgo no início da manhã e não fez declarações à imprensa.

O ex-líder do Partido Nacionalista Escocês (SNP) se declarou inocente em uma audiência preliminar em novembro. Ele prometeu uma defesa vigorosa durante o julgamento, que deve demorar quatro semanas.

O processo deve começar imediatamente após a formação do júri.

De acordo com as normas judiciais escocesas, as vítimas não podem identificadas pela imprensa.

Salmond, que levou a Escócia ao referendo de independência de 2014, no qual o "Não" foi vitorioso, enfrenta 14 acusações de agressão sexual e atentado ao pudor supostamente cometidas entre junho de 2008 e novembro de 2014.

Os atos vão de beijos e carícias forçadas até "tentativa de estupro", uma delas na residência oficial de chefe de Governo durante a campanha para o referendo de autodeterminação.

Segundo a acusação, na oportunidade Salmond beijou uma mulher à força antes de empurrá-la contra a parede, tentar arrancar as roupas da vítima e ficar nu. Depois, ele teria tentado violentá-la em uma cama.

"Sou inocente de qualquer crime ou delito de qualquer tipo", declarou em um tribunal após a acusação em janeiro de 2019. Ele foi detido e liberado após o pagamento de fiança.

"Me defenderei até o fim nos tribunais", completou o ex-político, que também foi deputado no Parlamento britânico em Londres.

Poucos meses antes da apresentação das acusações, Salmond abandonou o SNP, partido que governa a Escócia, em agosto de 2018 para não prejudicar um grupo do qual foi integrante por muito tempo.

A atual primeira-ministra, Nicola Sturgeon, que o sucedeu no comando do governo escocês e na liderança do SNP, expressou "enorme tristeza" com a saída do "amigo e mentor de três décadas".

Mas ela afirmou que as denúncias contra Salmond "não podem ser escondidas debaixo do tapete".

Após uma investigação interna, o governo escocês foi o responsável por informar a polícia sobre as acusações.

Salmond, ex-funcionário e economista do Bank Scotland, assumiu em 1990 a liderança do SNP, um partido muito heterogêneo que ele ajudou a reorientar.

Após uma derrota eleitoral, renunciou à liderança, antes de voltar ao cargo quatro anos depois.

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