Publicado 08 de Março de 2020 - 20h35

Por AFP

O presidente americano, Donald Trump, defendeu neste domingo (8) a resposta "perfeitamente coordenada" dos Estados Unidos ao novo coronavírus em meio a críticas pelos cortes na saúde e erros estratégicos que não conseguiram deter sua rápida propagação.

O vírus chegou a 30 estados americanos e matou pelo menos 21 pessoas, enquanto a capital americana anunciou o primeiro caso no sábado e milhões de pessoas em Califórnia, Nova York e mais recentemente Oregon estão em estado de emergência.

Trump, acusado de entregar informação errada sobre o surto, culpou os meios de comunicação em um tuíte mais cedo por tentar fazer com que seu governo "fique mal" à medida que aumentam as críticas pelos quase 500 casos registrados.

"Temos um plano perfeitamente coordenado e ajustado na Casa Branca para nosso ataque ao coronavírus", tuitou.

"Agimos de forma muito precoce para fechar fronteiras em certas áreas, o que foi um presente dos céus. O vice-presidente está fazendo um grande trabalho. Os veículos de notícias falsas está fazendo tudo o possível para que fiquemos mal. Triste!".

Mas Larry Hogan, governador republicano de Maryland, criticou as mensagens de Trump a respeito do surto. O presidente "não se comunicou da forma como eu faria e da forma como gostaria que o fizesse", disse à NBC.

O governador de Nova York, Andrew Cuomo, disse que as autoridades federais de saúde tinham sido "pegas de surpresa" e bloqueado a capacidade individual dos estados de responder.

"Suas mensagens estão por todas as partes, francamente", disse à Fox News.

Trump foi duramente criticado por contradizer reiteradamente os conselhos de especialistas de sua administração em seus pronunciamentos públicos sobre o coronavírus.

O presidente minimizou a ameaça representada pela epidemia, que matou mais de 3.500 pessoas desde que surgiu na China, sugerindo que os casos estavam "diminuindo substancialmente, não subindo".

Também prometeu falsamente que em breve estaria disponível e assegurou, sem ter provas, que a estimativa oficial da taxa de mortalidade era "falsa".

Desde o começo de fevereiro, o governo Trump se concentrou em bloquear as viagens da China e impor quarentenas em um esforço por manter o vírus fora dos Estados Unidos.

Os epidemiologistas asseguram que o esforço de contenção inicial pode ter atrasado a chegada do vírus, mas acusam a Casa Branca de perder tempo com uma estratégia mais ligada à narrativa política do que ao preparo interno.

A principal queixa é a falta de testes provocada pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) que desenvolvem seus próprios kits defeituosos, ao invés de usar os aprovados pela Organização Mundial da Saúde. Os críticos também destacam profundos cortes nos CDC.

O Oregon se tornou o último estado a declarar emergência, ao elevar a 14 os pacientes afetados. A governadora Kate Brown disse que a medida visa a "desbloquear" recursos-chave e estará vigente por pelo menos 60 dias.

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