Publicado 08 de Março de 2020 - 14h45

Por AFP

Em resposta às grandes epidemias, como peste, cólera e febre amarela, foram inventadas e aplicadas quarentenas desde a Idade Média, bem como cordões sanitários, como ocorre na China e, a partir deste domingo, no norte da Itália, diante do novo coronavírus.

Fato inédito na Europa, o governo italiano adotou neste domingo por decreto medidas excepcionais de confinamento de milhões de italianos que moram no norte, para conter a Covid-19.

Antes, foram tomadas medidas de limitação de movimentos na região de Wuhan, metrópole de 11 milhões de habitantes localizada no centro da China e epicentro da doença, que afeta cerca de 50 milhões de chineses.

"Essas quarentenas são a escala da população chinesa. Fora a Sars (Síndrome Respiratória Aguda Severa) em 2003, não há nada que possa se aproximar da magnitude desta operação. Exceto, talvez, a quarentena de Mumbai (antiga Bombaim), atingida pela peste em 1898", explicou à AFP Patrick Zylberman, especialista na história da saúde na Escola de Altos Estudos em Saúde Pública (EHESP).

Mais recentemente, durante a epidemia de ebola na África ocidental (2013-2016), foram impostas, em várias ocasiões, medidas de fechamento de fronteiras, confinamento e quarentena.

Os 6 milhões de cidadãos de Serra Leoa se viram, por exemplo, forçados a permanecer em suas casas durante três dias em setembro de 2014 e novamente em março de 2015. Este "confinamento geral" foi elaborado para deter a epidemia.

Uma quarentena é um isolamento temporário imposto a pessoas, navios e animais provenientes de um país infectado por uma doença contagiosa.

O cordão sanitário consiste em postos de vigilância para controlar e bloquear entradas e saídas de uma zona afetada por uma epidemia.

No caso da epidemia chinesa, é o equivalente a um enorme cordão sanitário que se instalou ao redor da região de Wuhan.

Para se proteger da peste, surgem nos séculos XIV e XV as primeiras medidas documentadas de isolamento de navios procedentes de zonas infestadas, em Dubrovnik (Croácia), em 1377, e depois em Veneza (Itália), a partir de 1423.

A duração imposta do isolamento, 40 dias, deu origem à palavra "quarentena". Os estabelecimentos que recebem as tripulações confinadas levam o nome de "lazaret", deformação do nome da ilhota na lagoa veneziana onde atracavam os navios, Santa Maria di Nazaret, ou referência ao leproso da Bíblia, Lázaro.

As quarentenas logo foram regularmente adotadas na Europa durante epidemias, até a grande pandemia de cólera que afetou o continente nos anos 1830.

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