Publicado 06 de Março de 2020 - 18h57

Por AFP

Com milhões de peregrinos esperados de todo o mundo, o santuário de Lourdes, no sudoeste da França, está travando sua própria batalha contra o coronavírus, com um dispositivo sem precedentes, em uma cidade onde comerciantes e hoteleiros temem uma avalanche de cancelamentos.

Na entrada da Basílica de Nossa Senhora do Rosário, inúmeros cartazes lembram aos peregrinos as regras de higiene a seguir, como lavar as mãos com frequência.

Piscinas fechadas, confessionários com gel desinfetante disponível ou contagem de peregrinos, são algumas das medidas tomadas pela gerência do santuário.

Embora nenhum caso tenha sido registrado em Lourdes ou na área em que está localizada, a administração do santuário indica que está pronta "para todas as eventualidades".

Dada a proximidade da temporada de peregrinação que começa em 5 de abril, "estabelecemos uma célula de vigilância dez dias atrás, que se reúne diariamente", explica o reitor do santuário, monsenhor Olivier Ribadeau Dumas.

"Foi decidido rapidamente o fechamento das piscinas porque elas são um lugar de muita concentração, onde os peregrinos se banham", declarou.

Essas piscinas localizadas perto da caverna de Massabielle, onde de acordo com a tradição cristã a Virgem apareceu, atraem anualmente cerca de 350 mil peregrinos que mergulham nas águas com a esperança de cura.

Isabel Jaraiz, uma espanhola de 61 anos que se locomove de cadeira de rodas, está em Lourdes pela primeira vez. Se as piscinas estivessem abertas, "eu teria ido lá, não acho arriscado", disse.

Não muito longe, um grupo de fiéis se reúne em frente à caverna, tocando a parede de pedra. "Este gesto não é questionado pelas medidas do Ministério da Saúde", especifica o santuário em seu site.

E como agir contra o coronavírus? "Tento não entrar muito nesse tipo de psicose atual", diz Géraldine, de 55 anos.

Apesar da chuva, há várias dezenas de peregrinos reunidos no santuário, mas em um mês haverá milhares.

"Teremos que levar em conta o pedido [do governo francês] de não colocar mais de 5.000 pessoas em um espaço confinado ... usando especialmente a contagem dos fiéis e sua redistribuição em diferentes locais do santuário", disse Ribadeau Dumas.

Para Alessandro de Franciscis, médico permanente no santuário, a situação é sem precedentes.

Ele crê que pessoas doentes - cerca de um terço do contingente de peregrinos - poderiam cancelar sua viagem, sabendo que a taxa de mortalidade relacionada ao coronavírus é muito maior em pessoas que sofrem de doenças cardiovasculares ou respiratórias, diabetes ou câncer.

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