Publicado 06 de Março de 2020 - 16h47

Por AFP

A estreia do novo filme de James Bond, estúdios de cinema cancelando a presença em festivais, produções de grandes filmes interrompidas: o coronavírus representa um desafio sem precedentes para Hollywood.

"Nunca vi nada que tenha afetado tantos filmes ao mesmo tempo", disse Jeff Bock, analista da empresa especializada Exhibitor Relations.

"Há incidentes ou tragédias isoladas que podem afetar um determinado filme. Mas isso realmente atinge toda a indústria de cima para baixo", acrescentou.

A indústria projeta grandes perdas financeiras no mercado asiático, mesmo após a previsão de redução de 2 bilhões de dólares no faturamento.

A estreia de "Mulan" - o esperado filme de ação real da Disney ambientado na China - foi adiada até novo aviso neste país que é o epicentro da epidemia.

Outra exibição que teve sua data transferida foi a nova produção da franquia de James Bond, "Sem tempo para morrer", nos Estados Unidos e Europa, o que ressalta que o impacto do vírus não tem fronteiras.

Por enquanto, a frequência nos cinemas americanos permanece constante, apesar do medo de espalhar a infecção, e "Mulan" teve sua data de lançamento mantida na América do Norte para este mês.

Porém, novos surtos de coronavírus na Califórnia e Nova York e mortes registradas no estado de Washington podem afetar as bilheterias.

"Veremos uma pequena queda nesta semana, quando "Mulan" for lançada, se a situação for tão séria quanto na China, todo o cenário mudará", disse Bock.

Por outro lado, grandes compradores de conteúdo audiovisual, como Netflix, Amazon e Apple, anunciaram que não estarã no festival SXSW no Texas, um importante mercado de filmes.

O impacto não será limitado a grandes estúdios. Stephen Nemeth, que produziu "Panic and Madness in Las Vegas" (1998), estrelado por Johnny Depp, planeja apresentar sua nova produção ao jornalista Hunter S. Thompson no festival em Austin.

"Temos um cinema com 1.100 lugares ... é muito para preencher se o festival tiver apenas 25% da capacidade", disse.

Mais de 50 mil pessoas assinaram uma petição on-line pedindo o cancelamento do SXSW.

Apesar dos organizadores insistirem na manutenção do evento na data prevista, notícias sobre desistência de participantes importantes, como Warner Bros e CNN, levantam mais dúvidas.

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