Publicado 06 de Março de 2020 - 14h17

Por AFP

Pelo menos 29 pessoas morreram, e 61 ficaram feridas, em um ataque nesta sexta-feira (6) contra um evento político em Cabul.

Os talibãs negaram qualquer responsabilidade no ataque contra uma cerimônia em memória de Abdul Ali Mazari, um político da minoria hazara. Seus membros são majoritariamente xiitas, em um Afeganistão amplamente sunita.

O atentado foi reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI).

"Dois irmãos... atacaram uma reunião de apóstatas em Cabul com metralhadoras, granadas e lança-granadas", garantiu o EI em um comunicado divulgado no aplicativo de mensagens Telegram.

No ano passado, um ataque que teria sido cometido com disparos de morteiro pelo EI nesta mesma cerimônia deixou ao menos 11 mortos.

Desta vez, os disparos tiveram origem em uma obra em construção próxima ao evento, informou o porta-voz do Ministério, Nasrat Rahimi.

Este é o primeiro atentado na capital afegã desde a assinatura do acordo entre os talibãs e os Estados Unidos, segundo o Ministério do Interior.

Fotos nas redes sociais mostravam corpos alinhados no chão, alguns deles com um pano que cobria seu rosto.

Vários integrantes da elite política afegã estavam presentes, entre eles o primeiro-ministro Abdullah Abdullah, que afirma ter vencido a eleição presidencial de setembro, apesar de o resultado oficial mostrar sua derrota.

"Estávamos no meio da cerimônia quando, de repente, ouvimos disparos", contou Mohammad Mohaqiq, o mais conhecido dos políticos hazara e próximo a Abdullah Abdullah, em entrevista à emissora Tolonews.

Também presentes, o ex-presidente Hamid Karzai e o ex-primeiro-ministro Salahuddin Rabbani, tinham saído um pouco antes, acrescentou.

"Todas as autoridades de alto nível foram retiradas do local", comentou Rahimi.

Unidades das forças especiais afegãs "fazem operações de varredura" na área, acrescentou.

O incidente de hoje acontece menos de uma semana depois da assinatura de um acordo em Doha entre Estados Unidos e os talibãs. O pacto abre caminho para a retirada completa das tropas estrangeiras do Afeganistão em 14 meses, em troca de garantias de segurança.

Uma trégua parcial instaurada a pedido de Washington em 22 de fevereiro foi suspensa pelos talibãs na segunda-feira. Desde então, eles intensificaram os ataques contra as forças de segurança afegãs, evidenciando a dificuldade de diálogo entre os insurgentes e o governo, outra condição do acordo de Doha.

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