Publicado 06 de Março de 2020 - 13h47

Por Estadão Conteúdo

A posse do presidente do Uruguai, Luis Lacalle Pou, no domingo, marcou o primeiro encontro do presidente Jair Bolsonaro com o rei Felipe VI, da Espanha. Lado a lado durante a cerimônia, os dois foram além dos cumprimentos formais. Segundo fontes brasileiras, o monarca aproveitou para esclarecer sobre o encontro com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ocorrido três dias antes no Palácio Zarzuela, na residência oficial da realeza na Espanha.

Felipe VI, de acordo com a versão de integrantes da comitiva brasileira no Uruguai, teria pedido desculpas pelo fato de a embaixada da Espanha no Brasil ter mencionado em publicação nas redes sociais que o parlamentarismo seria um dos temas da agenda com o presidente da Câmara. Procurada, a embaixada não se manifestou oficialmente. Informou apenas que não era possível checar o conteúdo da conversa.

Antes do encontro de Maia, a embaixada espanhola no Brasil publicou nas redes sociais que os dois conversariam sobre "democracia, parlamentarismo, futuro do Brasil e desenvolvimento sustentável", o que motivou críticas de aliados de Bolsonaro na internet. Com a hashtag #Maiagolpista, o assunto viralizou entre os perfis de apoio ao presidente. Bolsonaristas também foram ao perfil da embaixada da Espanha acusando o país de articular com o presidente da Câmara a implementação do parlamentarismo no Brasil.

A reação obrigou o escritório diplomático espanhol a apagar a postagem original. O embaixador espanhol no Brasil, Fernando Garcia Casas, republicou a postagem dizendo que "é óbvio para todos que o sistema do Brasil é presidencialista". Na publicação no Twitter, o diplomata marcou os ministros Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, e Ricardo Salles, do Meio Ambiente, e os filhos do presidente, o vereador do Rio Carlos Bolsonaro (PSC) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

O esclarecimento do rei Felipe VI a Bolsonaro, segundo o Estado apurou, ocorreu na Assembleia Nacional, antes do juramento de Lacalle Pou. Em uma conversa rápida e descontraída, na versão brasileira, o monarca disse que o uso do termo foi infeliz e que a embaixada se referia à diplomacia parlamentar. Em tom de brincadeira, o rei teria dito que sabe que o presidente Bolsonaro é o chefe do Brasil.

Na segunda parte da cerimônia, acompanhada pela imprensa brasileira, Bolsonaro e Felipe VI permaneceram próximos, mas não foram vistos conversando. Bolsonaro passou boa parte do tempo conversando com Iván Duque, presidente da Colômbia, e com o vice-presidente do Equador, Otto Sonnenholzner. O brasileiro ainda teve conversas rápidas com os presidentes do Paraguai, Mario Abdo Benítez, e do Chile, Sebastián Piñera.

O encontro do presidente da Câmara com rei Felipe VI fez parte de uma missão oficial na Europa, que incluiu passagens por Paris e Lile, na França. A interlocutores, Maia tem afirmando que o parlamentarismo não foi tema da conversa, mas teme que o assunto voltará à tona em suas próximas agendas no continente europeu. Ele tem programada uma reunião no Parlamento Europeu em Bruxelas, na Bélgica, e um encontro com o primeiro-ministro de Portugal, Antonio Costa. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Escrito por:

Estadão Conteúdo