Publicado 05 de Março de 2020 - 15h07

Por AFP

Roma amanheceu deserta nesta quinta-feira (05), sem turistas e estudantes. É o retrato de um país blindado e isolado diante da epidemia do novo coronavírus depois das medidas extraordinárias adotadas pelo governo italiano com o fechamento inédito de escolas e universidades.

O balanço atual no país é de 148 mortos para 3.858 casos.

No total, cerca de oito milhões e meio de estudantes deverão permanecer em casa até meados de março, uma medida sem precedentes para evitar que se propague o vírus e o sistema de saúde entre em colapso.

As portas de um dos colégios públicos mais conhecidas da capital, o Liceo Visconti, no coração de Roma, não foram abertas e a praça onde normalmente dezenas de estudantes se reúne ficou vazia.

O mesmo aconteceu em outro colégio histórico, o Julio César, onde a diretora, Paola Senese, organizava uma maneira de manter as aulas pela internet em meio a um prédio com corredores sem ninguém, com expediente somente dos funcionários do setor administrativo.

"As aulas estão suspensas, por isso estamos tentando ajudar os professores para que tenham todas as informações e dicas para conseguir manter o vínculo didático com os alunos", explicou à AFP-TV.

O fechamento de creches, escolas primárias, colégios, escolas secundárias e universidades nunca aconteceu na história da Itália, já que até mesmo durante a Segunda Guerra elas foram mantidas, apesar dos bombardeios dos aliados.

As medidas foram anunciadas pelo primeiro-ministro Giuseppe Conte e explicadas por meio de uma mensagem de vídeo e tiveram repercussões a nível social e econômico.

"Nos organizamos com os pais, tentamos nos ajudar mutuamente para diminuir os imprevistos por causa do fechamento das escolas", reconhece a advogada Roberta Pregolini, de 43 anos, uma das poucas mães que caminhava pela cidade com seus filhos de 8 e 5 anos.

"A medida será eficaz se durar o suficiente", disse Walter Ricciardi, especialista italiano da Organização Mundial da Saúde (OMS), que assessora o governo.

"Devemos confiar nessas medidas, elas são necessárias", disse o jovem médico Carlo Previte, que elogiou o grupo de especialistas que assessora o governo.

As autoridades estimulam a educação a distância e estudam possíveis indenizações para famílias com filhos menores.

O governo também tenta impedir a propagação do vírus para que o sistema nacional de saúde não fique sobrecarregado.

"Em caso de crescimento exagerado, não apenas a Itália, mas qualquer país do mundo está em condições de enfrentar uma emergência" desse tipo, explicou Conte um dia antes.

Além das escolas, todas as competições esportivas, incluindo partidas de futebol, devem ser disputadas a portas fechadas na Itália até o próximo 3 de abril.

Ele também recomendou que as pessoas mais velhas e vulneráveis ficassem em casa.

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