Publicado 05 de Março de 2020 - 14h27

Por AFP

A decisão, considerada necessária, da Arábia Saudita de suspender a Umra, a peregrinação a Meca que pode ser realizada durante todo o ano, por causa da propagação do novo coronavírus ameaça sua economia e imagem internacional.

Na última quarta-feira, as autoridades suspenderam essa peregrinação considerada menor pelo fato de que pode ser feita fora do período do hajj, a maior peregrinação à cidade sagrada.

Trata-se de uma decisão que faz temer pelo futuro do hajj, um dos principais pilares da religião islâmica, que esse ano deve ocorrer entre o final de julho e início de agosto.

O país também proibiu a entrada de peregrinos nas cidades santas de Meca e Medina, os lugares mais sagrados para o Islã.

Essas medidas preventivas surgem em um momento em que os países do Golfo temem a propagação da epidemia do coronavírus após ter registrado mais de 150 casos, em sua maioria de pessoas que voltaram de peregrinações no Irã, um dos maiores focos da epidemia no mundo, depois da China.

A pequena peregrinação corria o risco de se tornar um foco importante de contaminação na Arábia Saudita, onde foram confirmados cinco casos.

A suspensão soma-se às medidas de prevenção tomadas por outros países, incluindo rivais regionais como Irã, Catar e Turquia.

A decisão saudita frustrará milhões de fiéis que se programavam para fazer essa peregrinação aos lugares santos. Além disso, terá que renunciar a bilhões de euros do lucro anual por causa do turismo religioso.

Muitos fiéis vindos de todo o mundo investem todas suas economias para realizar a pequena peregrinação. Para muitos, a suspensão da Umra já simboliza uma catástrofe.

Nesse sentido, a embaixada da Indonésia em Riad pediu às autoridades sauditas que permitam os seus cidadãos a continuar com os planejamentos de peregrinação.

Grandes instituições religiosas na Arábia Saudita, assim como no exterior, aprovaram a suspensão da Umra.

No entanto, segundo Yasmine Farouk, especialista em Arábia Saudita no centro Carnegie Endowment for International Peace, em Washington, a decisão poderia "colocar em dúvida o controle saudita dos lugares santos do Islã".

As autoridades sauditas não quiseram responder às perguntas da AFP.

Para Umar Karim, um investigador do centro Royal United Services Institute, com essa medida inédita "A Arábia Saudita tenta se apresentar como mais responsável do que o Irã", acusado de suposta negligência no controle do novo coronavírus em seu território.

A Arábia Saudita já tenta conter as críticas dos conservadores a sua recente política de permissão das mulheres nos eventos esportivos e culturais, após romper com décadas de conservadorismo.

As autoridades defendem que as restrições da peregrinação são "temporárias" e que serão "reexaminadas" em função da evolução da situação sanitária mundial.

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