Publicado 05 de Março de 2020 - 14h19

Por AFP

"Se anexarem, não teremos mais nada, exceto este pequeno pedaço de terra", diz o idoso Majed Abu Al Hajj, apontando em direção ao seu jardim.

No vale do Jordão, em território palestino, a vitória eleitoral de Benjamin Netanyahu despertou temores de anexação.

Nas últimas semanas, Netanyahu prometeu anexar rapidamente as áreas ocupadas da Cisjordânia, incluindo o vale do Jordão, se continuar no cargo após as eleições legislativas de segunda-feira.

Na cidade palestina de Ain Al Bayda, no norte do vale, a vitória de Netanyahu deixou um sabor amargo em muitos habitantes, que temem que as anexações sejam feitas nos próximos meses.

"É claro que temos medo que anexem esses territórios", diz Majed Abu Al Hajj, 85 anos. "Tudo é possível".

Os 1.600 habitantes desta vila ensolarada vivem principalmente da agricultura e parte de suas terras já está nas mãos de colonos judeus ou empresas israelenses.

Netanyahu dará o passo da anexação? Ou suas promessas de campanha eram apenas promessas? Para Majed Abu Al Hajj e seu povo, apenas uma coisa é certa: "Não controlamos nada".

Apesar de acusado de corrupção, Netanyahu alcançou, de acordo com as pesquisas, o melhor resultado de sua carreira política, o que o coloca em uma posição de força para formar o próximo governo com seus aliados de direita, favoráveis à anexação de uma parte da Cisjordânia, um território palestino ocupado por Israel desde 1967.

Uma ideia apoiada por seu grande aliado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cujo plano para o Oriente Médio planeja anexar o vale do Jordão a Israel.

Esse território representa quase um terço da Cisjordânia e possui 130 colônias israelenses. Dezenas de milhares de palestinos vivem no vale do Jordão. Nas colônias israelenses da Cisjordânia, ilegais pelo direito internacional, existem mais de 450.000 israelenses.

Na cidade de Ain Al Bayda, Abdel Rahman Abdalá, 74 anos, diz que teme "pagar um preço alto" se sua cidade acabar sendo anexada.

No entanto, continua otimista: "pessoalmente, não acho que ele [Netanyahu] vai realizar a anexação".

A anexação de terras palestinas pode levar a "violência e derramamento de sangue", alertou o secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erakat, à AFP.

Para que a decisão seja tomada, o presidente Reuven Rivlin deve primeiro confiar a Benjamin Netanyahu a tarefa de formar um governo.

Segundo Eugène Kontorovich, do Kohelet Forum, um centro de análise conservador, os resultados das eleições dão a Netanyahu uma ordem clara para prosseguir com a anexação.

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