Publicado 04 de Março de 2020 - 18h08

Por AFP

A aviação americana bombardeou nesta quarta-feira (4) um grupo de talibãs que atacava as forças de segurança afegãs, após uma ofensiva dos insurgentes que provoca dúvidas sobre o incipiente processo de paz no Afeganistão.

O ataque americano na província de Helmand (sul) aconteceu poucas horas depois de uma conversa telefônica entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder político dos insurgentes talibãs.

A conversa aconteceu quatro dias depois da assinatura, no sábado em Doha, de um acordo histórico dos talibãs com Washington sobre a retirada das forças estrangeiras do país.

No entanto, os insurgentes retomaram segunda-feira a ofensiva contra as forças de segurança afegãs - mas não contra as forças estrangeiras - encerrando uma trégua parcial de nove dias que levanta questões sobre as negociações entre o governo e os talibãs, programadas para começar em 10 de março.

"As forças dos Estados Unidos executaram um bombardeio em Nahr-e Saraj, em Helmand, contra os combatentes talibãs que atacavam as forças de segurança afegãs. Foi um bombardeio defensivo", anunciou no Twitter o coronel Sonny Leggett, porta-voz das Forças Armadas americanas no Afeganistão.

"Pedimos aos talibãs que cessem os ataques e respeitem seus compromissos. Como demonstramos, defenderemos nossos aliados quando necessário", completou, em referência às forças governamentais afegãs.

Os ataques aconteceram poucas horas depois de uma conversa telefônica, de 35 minutos, entre o líder político dos insurgentes, mulá Barada, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A conversa foi "longa e boa", disse Trump.

"Minha relação com o mulá é muito boa", acrescentou Trump. "Eles querem acabar com a violência", declarou.

Nesta quarta-feira, porém, o coronel Legget advertiu que "enquanto o governo afegão e os Estados Unidos cumprem seus compromissos, os talibãs tentam desperdiçar esta oportunidade e ignoram o desejo de paz do povo afegão".

A paz no Afeganistão será "um caminho longo e difícil", no qual haverá "decepções", disse à AFP o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

Segundo o acordo de Doha, que não foi ratificado pelo governo afegão, Estados Unidos e outras forças estrangeiras se comprometem com uma retirada completa do Afeganistão no prazo de 14 meses em troca, entre outras coisas, do início de um diálogo entre afegão incluindo o governo, a oposição, a sociedade civil e os próprios talibãs.

Escrito por:

AFP