Publicado 04 de Março de 2020 - 16h47

Por AFP

Vários países tentavam controlar suas reservas de máscaras e equipamentos de proteção, essenciais para os profissionais de saúde que combatem a epidemia de coronavírus, nesta quarta-feira (4), após o alerta da OMS de que os estoques estão diminuindo rapidamente.

Diante da forte demanda por gel desinfectante, máscaras, luvas e trajes de proteção, a França decidiu confiscar suas reservas e a produção de máscaras, e a Rússia e a Alemanha proibiram, nesta quarta, a exportação de material médico de proteção.

A doença Covid-19 já afeta 81 países e territórios e contaminou mais de 94 mil pessoas, provocando 3.200 mortes no mundo todo.

Neste contexto, o ministro alemão da Saúde, Jens Spahn, falou pela primeira vez em uma "pandemia". "A epidemia do coronavírus na China (se) transformou em uma pandemia mundial".

Diante da redução do tráfego aéreo provocada pela epidemia, a companhia aérea Lufthansa anunciou nesta quarta que vai manter em terra 150 de seus aviões na Alemanha - um quinto de sua frota.

A falta de utensílios na China, onde a epidemia surgiu em dezembro e já ocorreram 2.981 mortes, provocou o contágio de milhares de trabalhadores do setor de saúde e a morte de várias dezenas deles. Isso levou fábricas de fraldas, jaquetas e telefones a se voltarem à produção de máscaras e roupões de produção.

Na Itália, o número de mortos chegou a 107 pessoas, com 3.089 infectados, e o governo decidiu fechar escolas e universidades até 15 de março. O Reino Unido estuda adotar uma medida similar.

A Espanha registrou nesta quarta a segunda morte provocada pelo vírus, de um homem de 82 anos com doenças crônicas.

Diante do risco de desencadeamento de contágio, as autoridades cancelam ou adiam qualquer ato que envolva um grande número de pessoas. Assim, a Arábia Saudita ordenou a suspensão "temporária" da peregrinação "Umra", que pode ser feita em qualquer época do ano.

Na França, o santuário de Lourdes, visitado anualmente por milhões de pessoas, anunciava o fechamento de suas piscinas, onde 350.000 peregrinos mergulham anualmente em busca de um milagre. Em Paris, o famoso museu do Louvre reabriu na quarta-feira após três dias fechados.

Em nível econômico, organizações internacionais tentam conter o impacto da epidemia de coronavírus.

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, disse nesta quarta-feira que a crise da saúde exige "uma resposta global", enquanto os países membros da instituição prometeram fornecer "todo o apoio necessário para limitar o impacto" da epidemia, "convencidos" de sua capacidade de "restaurar o crescimento".

O Federal Reserve (Fed, banco central) dos Estados Unidos cortou suas taxas de juros de referência na terça-feira, uma medida inédita desde a crise financeira de 2008.

O Banco Mundial anunciou um plano de emergência de 12 bilhões de dólares para ajudar os países a conter a epidemia.

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