Publicado 04 de Março de 2020 - 16h47

Por AFP

Os 27 países da União Europeia (UE) estão mobilizados pela decisão da Turquia de abrir as portas aos migrantes e pressionar Bruxelas, rompendo um acordo de 2016 que reduziu consideravelmente o número de chegadas à Grécia.

O pacto é um acordo juridicamente não vinculante que reduziu consideravelmente o número de chegadas de migrantes à Grécia.

Em troca de um apoio financeiro da UE, o acordo prevê devolver à Turquia os migrantes que chegam às ilhas gregas, assim como o compromisso de Ancara de reforçar suas fronteiras com a UE.

Mas o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, decidiu rompê-lo e deixou passar migrantes e refugiados que se encontram em seu território, provocando uma avalanche de chegadas à fronteira greco-turca.

A UE repete que está comprometida com o acordo e espera o mesmo da Turquia.

Dos 6 bilhões de euros previstos pela UE para ONGs responsáveis dos programas de apoio aos refugiados na Turquia, Bruxelas já pagou 3,2 bilhões de euros, segundo a Comissão.

O acordo prevê também que por cada migrante devolvido à Turquia, um refugiado sírio será acolhido na UE.

No total, 26.576 refugiados foram reinstalados na Europa, enquanto o número de devoluções foi de apenas 2.084, segundo a Comissão.

Desde a assinatura do pacto, a Turquia ameaçou várias vezes não respeitá-lo e pediu mais ajuda. O país acolhe 5 milhões de refugiados, entre eles 3,7 milhões de sírios.

Desta vez o presidente turco cumpriu a ameaça e anunciou que "milhões" de migrantes chegariam à Europa muito cedo, em uma tentativa de pressionar os ocidentais para que o apoiem na Síria na guerra que trava contra o regime de Damasco e seu aliado russo.

Vários dirigentes europeus tacharam a chantagem de "inaceitável".

O acordo com a Turquia "é um pouco o beijo do diabo (...) Estamos presos", afirma Yves Pascouau, diretor dos programas Europa da associação Res Publica.

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