Publicado 06 de Fevereiro de 2020 - 20h03

Por Adagoberto F. Baptista

Foto: Cedoc

Henrique Hein

Da Agência Anhanguera

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A Região Metropolitana de Campinas (RMC) começou o ano com um aumento no número de moradores superendividados. Segundo dados divulgados ontem pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), o percentual de pessoas impossibilitadas de quitarem suas pendências subiu 3% entre os anos de 2018 e 2019. Em doze meses, a quantidade de devedores passou de 475,2 mil para 489,8 mil – um crescimento de 14,6 mil novos moradores com graves problemas financeiros na região. Desse montante, quase um terço reside em Campinas (180,6 mil).

O superendividamento acontece quando o consumidor adquire dívidas que superam sua renda e seu patrimônio, impedindo com ele consiga sair dessa situação sem comprometer custos relacionados à sua própria subsistência, como aluguel e alimentação. “Estamos falando de pessoas que estão com uma dívida acumulada superior a um ano e que não possuem margem para sair do buraco em que se meteram”, explica o economista da Acic, Laerte Martins.

Segundo o estudo, atualmente 15% dos 3,25 milhões de habitantes estão superendividados na RMC. Entre as justificativas mais comuns estão: os cálculos feitos de cabeça, a preguiça para fazer o controle financeiro dos gastos, a falta de disciplina para administrar as finanças e a dificuldade para encontrar um equilíbrio entre o dinheiro que entra e sai da conta. “A maioria da população brasileira, de um modo geral, não tem uma boa educação financeira. Eles ganham o dinheiro, mas não sabem guardar. Quando param para perceber, estão com uma bomba nas mãos”, explica Martins.

Apesar de ser difícil sair do superendividamento, o especialista garante que não é impossível. Para ele, o primeiro passo é se organizar e buscar alternativas que podem ajudar a ter uma vida financeira mais saudável. “Quem está nessa situação precisa encontrar uma maneira de cortas gastos, tentar melhorar seu poder consumo por meio de um aumento salarial e buscar empréstimos com menores taxas de juros para diminuir a dívida aos poucos”, destaca.

Por fim, Martins afirma que os dados apresentados no estudo da Acic, apesar de esperados, são preocupantes. “O índice de endividamento em Campinas e nas cidades da região está bastante elevado”, destaca o economista, que vê pela frente um cenário ruim pela frente. “A nossa expectativa é de que haja um crescimento da economia e do poder de compra dos consumidores nesse ano. Esperamos algo em torno dos 2%. No entanto, essa perspectiva é insuficiente para melhorar o quadro atual. A tendência é que 2020 termine com um número ainda maior de pessoas superendividadas”.

ARTE

RMC População Total de Superendividados

2018 3,16 milhões 475,2 mil

2019 3,25 milhões 489,8 mil

Percentual 3,06% 3,07%

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista