Publicado 06 de Fevereiro de 2020 - 16h06

Por Adagoberto F. Baptista

Alenita Ramirez

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Foto: Matheus

Um mistério ronda o Condomínio de Chácaras Vale das Garças, no bairro Vale das Garças, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas. Nos últimos quatro dias, ao menos 29 aves, entre patos e galinhas, foram achadas estranguladas e decapitadas em dois galinheiros distintos. A morte estranha dos animais intriga os donos, que não conseguem compreender a ação do assassino.

O enigma começou há cerca de um mês quando a família do aposentado Adil Destro, de 73 anos, acordou com barulhos no quintal. Ao verificarem, avistaram na varanda da casa, um bicho preto, deitado, que respirava ofegante. Assustados, os moradores fecharam a porta, mas na manhã do dia seguinte, acharam um coelho morto, sem marcas de agressão.

Na chácara, a família cria galinhas, patos e coelhos, que vivem soltos durante o dia e a noite são guardados no galinheiro. Na última segunda-feira, Adil deparou com 17 galinhas e os dois patos, mortos. Maior parte estava dentro do galinheiro. Três próximos ao poleiro e um a cerca de cinco metros do palco da “carnificina”. Algumas das aves estavam sem cabeça e outras sem o pé, mas a maioria estava inteira, mas partes depenadas. Segundo a família, não havia marcas de sangue no local. “Não conseguimos entender até agora o que aconteceu. Parece se tratar de um serial killer que matou por prazer”, disse a aposentada Mafalda Regina Bacari Destra, de 63 anos.

De acordo com a filha do casal, a contabilista Silvia Destro, de 37 anos, no primeiro ataque, o galinheiro teve apenas a tela de arame amassada. Mas desta vez, a tela foi arrombada em três locais. Uma tela fina de proteção contra mosquitos que fica na parte externa do galinheiro, foi arrancada e há três marcas que levam a crer ser de animais de porte médio. “A gente pensa ser uma onça-parda, um gambá ou um teiú, já que é uma área rural e estamos próximos ao Rio Atibaia”, disse Silvia.

Na manhã da quarta-feira, outra chácara localizada em outra parte do condomínio também sofreu ataque. Ao menos dez galinhas foram mortas no mesmo estilo. “Estamos com medo, pois ainda temos outros animais que conseguiram escapar da matança”, falou Mafalda.

Cães

O médico-veterinário Diogo Siqueira, especialista em pesquisa de Fauna, defende que os ataques foram cometidos por cães. Siqueira mora no condomínio e foi acionado para o local no dia do ataque que culminou na morte dos 19 animais da família Destra. Segundo ele, foram constatadas duas marcas de médio porte, semelhante aos de canídeos. “As marcas diferem de felinos, pois as unhas ficam expostas nas marcas, o que ocorre com a de cães. Só não posso afirmar se são cães selvagens ou domésticos. Pelo comportamento nos ataques e pela incidência de animais no condomínio, é quase certeza se tratar de cães domésticos”, disse o médico-veterinário.

Siqueira também descarta a possibilidade de ataque cometido por Teiú ou gambá, animais estes de hábito noturno, mas que gostam de ovos, caso do primeiro, e não enfrenta galinhas grandes. “O ataque é típico de cães doméstico devido a forma. Os animais foram estraçalhados. Há cães domésticos que gostam de brincar e eles chegam a escalar alambrados para pegar a presa. O animal selvagem, ele mata para comer”, disse. “O ideal é instalar câmaras no local para flagrar”, acrescentou.

RETRANCA

Mito e Jó são dois galos da família Destro. Eles e duas jovens galinhas foram os sobreviventes da “chacina” animal. Mito e as galinhas estavam no poleiro com as demais vítimas e conseguiram escapar. Já Jó tem vida de rei: dorme em seu cantinho confortável na lavanderia da casa e nem percebeu os momentos de pânicos dos amigos no quintal.

A família cria os animais como de estimação e não para consumo. Seu Adil e dona Mafalda são pais de Silvia e Fabiana e avós de três netos: Bruna 13, Valentina 2 e Murillo 1 ano. Para o patriarca e a matriarca da família, os bichinhos são como netos: “Vem com a vovó! Olha, sai de trás do vovô!”. Assim são referenciados. “

Os Destra vieram para Campinas há cerca de um ano. Antes viviam na Capital Paulista. Em busca de tranquilidade, eles encontraram aconchego na área rural de Barão Geraldo. “Essa chácara é a realização de um sonho que Deus nos deu. Somos muito gratos e colocamos amor em tudo. Então, os animais que têm uma história colocamos nomes”, disse Sílvia, a caçula do casal.

Apaixonados por aves, há mais ou menos oito meses, William, marido de Fabiana, resgatou Jó de um sítio em Campinas. O bichinho tinha ficado órfão de pais, ao lado de dois irmãos, e o dono do local não os queria. William os comprou e levou-os para a chácara e receberam o nome de Katchup, Mostarda e Maionese.

Eles eram ainda pintinhos recém-nascidos e indefesos. Maionese não resistiu e morreu. Katchup era o mais carinhoso e um dia escapou para a rua e um cachorro o matou. Mostarda, ferido, sobreviveu ao ataque canino. “Ficamos com dó dele e levamos para dentro de casa. Ele comia e dormia em nosso colo. Conforme foi crescendo, levamos para sua caminha na lavanderia. Então mudamos o nome para Jó, em referência a um homem que consta na Bíblia, que foi provado, mas sobreviveu”, explicou Mafalda. “As demais galinhas e o Mito chegaram depois, também pequenos. Jó brincava com eles e as galinhas eram suas namoradinhas. Mas Mito, o valentão, não deixava ele nem chegar perto delas”, contou a aposentada.

O galo é tratado como um membro da família e tem liberdade na casa. É o mais velho da turma. Segundo o casal, Jó se recolhe em casa, logo que escurece e costuma deitar no peito de Mafalda para dormir. “Quando a porta está fechada e ele quer entrar, ele bica até abrirmos”, disse Mafalda.

Desde a morte das galinhas, o galo anda triste no quintal, de um lado para o outro, com pouca inteiração, segundo a aposentada. “A gente cria os animais por prazer e não para matar”, falou Adil.(AR/ANN)

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Adagoberto F. Baptista