Publicado 06 de Fevereiro de 2020 - 14h33

Por Adagoberto F. Baptista

Índice de envelhecimento quintuplica desde os anos 80

Da Agência Anhanguera

Tote Nunes

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O índice de envelhecimento da população de Campinas quase quintuplicou desde a década de 1980, segundo dados divulgados pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados). O índice - que mede a relação entre o número de indivíduos com mais de 60 anos e os de até 15 anos de idade - subiu de 20,01 em 1980, para 90,71 agora em 2019. Isso significa que nos anos 80 do século passado, existiam 20 pessoas com mais de 60 anos para cada grupo de 100 jovens de até 15 anos.

Hoje, existem 90 idosos para cada grupo de 100 jovens menores de 15 anos. Campinas conta hoje com uma população aproximada de 187 mil pessoas com 60 anos ou mais, e um grupo de 205 mil com até 15 anos.

O índice de envelhecimento de Campinas é muito superior à média do Estado - que atingiu 78,13 em 2019. A Região Metropolitana de Campinas - que é composta por 20 municípios - registrou um índice de 79,96 e a Região Administrativa de Campinas - que conta com cerca de 60 cidades - tem um índice de 83,87. Esse quadro é resultado do aumento na expectativa de vida das pessoas, aliada à queda na taxa de fecundidade.

O aumento do índice de envelhecimento é um bom sinal, segundo a demógrafa do Seade, Lucia Mayumi Yazaki já que as pessoas estão vivendo mais. Ela chama a atenção, no entanto, para dois aspectos importantes desse movimento. Primeiro, diz ela, se pode prever uma sobrecarga para os jovens, que serão em menor número e que terão de ocupar o mercado de trabalho num futuro breve. O segundo, acrescenta a demógrafa, é o crescimento da demanda de idosos para os sistemas de saúde pública e Previdência, por exemplo.

Segundo dados de 2018 do Seade, as menores taxas de mortalidade no estado de São Paulo se deram nas regiões administrativas de Campinas, São José do Rio Preto e Presidente Prudente. Já as maiores taxas se concentraram na Baixada Santista, Sorocaba, Registro e Itapeva .

Quanto à taxa geral de fecundidade,também em 2018, os números do Seade mostram que em cada mil mulheres na faixa etária de 15 e 49 anos, 50 tiveram filhos no estado. Esse resultado tem permanecido estável nos últimos dez anos. Entre os municípios, porém, as taxas mais baixas pertencem àqueles nas regiões central e norte, enquanto as mais altas encontram-se naqueles ao sul do estado, como Registro, Itapeva, Santos, bem como na Região Metropolitana de São Paulo e Sorocaba.

Em relação aos casamentos - que os técnicos chamam de taxa de nupcialidade legal - a taxa em 2018 foi de 7,9 casamentos por mil habitantes de 15 anos e mais de idade. Foi menor do que a registrada no ano anterior (8,3 casamentos por mil). Existe considerável variação entre os municípios paulistas: 244 deles apresentaram taxas acima da média estadual. As mais elevadas estão nas regiões de Registro e Itapeva. Por outro lado, há taxas inferiores à média em 401 municípios: além da capital, aqueles localizados principalmente a norte, nordeste e oeste do estado.

QUADRO

Índice de Envelhecimento

1980 - 20,01

1990 - 26,08

2000 - 39,08

2010 - 64,03

2019 - 90,71

Fonte: Fundação Seade

Nascimentos vêm diminuindo no Estado

De acordo com as estatísticas do Registro Civil do Estado de São Paulo elaboradas pela Fundação Seade, o número de nascidos vivos de mães residentes no Estado, em 2018, foi de 605.630. Em 1982, ponto máximo de sua evolução, ocorreram 771.804 nascimentos no Estado de São Paulo, quase 166 mil a mais do que o total de 2018.

A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) respondeu por metade dos nascimentos (302.919) ocorridos no estado, neste último ano. Já na região de Campinas, foram registrados 90.151 nascidos vivos (15% do total do estado) e, na região de Registro, a menor de São Paulo, 4.045 nascimentos, o que corresponde a menos de 1% do total.

Os nascimentos ocorrem em proporções ligeiramente maiores entre março e maio, ficando abaixo da média nos últimos meses do ano.

A distribuição dos nascimentos por dia da semana e períodos do dia revela uma prática já estabelecida e muito relacionada à ocorrência de parto operatório ou natural, evidenciando que os primeiros são realizados preferencialmente de segunda a sexta-feira e durante o dia.

A gravidez múltipla, que corresponde a nascimentos de gêmeos, trigêmeos ou múltiplos, tem aumentado no decorrer dos anos. Tais ocorrências passaram de 13 mil, em 2000, para 15,2 mil, em 2018, representando 1,9% e 2,5%, respectivamente, do total de nascimentos do Estado. Essa tendência de crescimento possivelmente está associada às mudanças de comportamento reprodutivo das mulheres, como o adiamento da maternidade, que por sua vez, pode resultar em necessidade de procedimentos para solucionar dificuldades de reprodução.

Em 2018, nasceram 310 mil meninos e 295 mil meninas, resultando em uma razão de sexo de 105 nascimentos do sexo masculino para 100 do sexo feminino, como ocorre na maioria dos países.

As idades médias da mãe e do pai foram 28,6 e 31,7 anos, respectivamente. Entretanto, para ambos, o pico ocorre em torno dos 30 anos. No período de quase 20 anos, a idade média das mães no Estado de São Paulo ampliou-se em 2,9 anos.

Do total de nascimentos ocorridos em 2018, 76,5% das mães eram paulistas, 22,2% eram naturais de outros estados e 1,3% de outros países. Entre as não paulistas, as baianas são a maioria, com 26,2%, seguidas pelas mineiras (13,6%) e as pernambucanas (11,6%).

Aproximadamente 7.600 mães declararam outro país de nascimento: 2.950 (38,7%) são da Bolívia, 930 do Haiti e 600 da China. Quase a totalidade das bolivianas reside na RMSP, sobretudo na capital; as demais imigrantes, com exceção das haitianas, também moram, em sua maioria, na RMSP (acima de 80%) ou na capital.

A fecundidade da mulher paulista oscilou em torno de 1,70 filho por mulher, entre 2010 e 2018, mas no período anterior, de 2000 a 2010, a variação havia sido importante, reduzindo de 2,08 para 1,68 filho por mulher.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista