Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 5h30

Um mistério ronda o Condomínio de Chácaras Vale das Garças, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas. Nos últimos quatro dias, ao menos 29 aves, entre patos e galinhas, foram achadas estranguladas e decapitadas em dois galinheiros distintos. Também há notícias de ataques em dias anteriores em chácaras fora do condomínio, com a morte de ao menos 30 galinhas. A morte estranha dos animais intriga os donos, que não conseguem compreender a ação do assassino.

O enigma começou há cerca de um mês quando a família do aposentado Adil Destro, de 73 anos, acordou com barulhos no quintal. Ao verificarem, avistaram na varanda da casa, um bicho preto, deitado, que respirava ofegante. Assustados, os moradores fecharam a porta, mas na manhã do dia seguinte, acharam um coelho morto, sem marcas de agressão.

Na chácara, a família cria galinhas, patos e coelhos, que vivem soltos durante o dia e a noite são guardados no galinheiro. Na última segunda-feira, Adil deparou com 17 galinhas e os dois patos, mortos. Maior parte estava dentro do galinheiro. Três próximos ao poleiro e um a cerca de cinco metros do palco da "carnificina" . Algumas das aves estavam sem cabeça e outras sem o pé, mas a maioria estava inteira, mas partes depenadas. Segundo a família, não havia marcas de sangue no local. "Não conseguimos entender até agora o que aconteceu. Parece se tratar de um serial killer que matou por prazer" , disse a aposentada Mafalda Regina Bacari Destra, de 63 anos.

De acordo com a filha do casal, a contabilista Silvia Destro, de 37 anos, no primeiro ataque, o galinheiro teve apenas a tela de arame amassada. Mas dessa vez, a tela foi arrombada em três locais. Uma tela fina de proteção contra mosquitos que fica na parte externa do galinheiro, foi arrancada e há três marcas que levam a crer ser de animais de porte médio. "A gente pensa ser uma onça-parda, um gambá ou um teiú, já que é uma área rural e estamos próximos ao Rio Atibaia" , disse Silvia.

Na manhã da quarta-feira, outra chácara localizada em outra parte do condomínio também sofreu ataque. Ao menos dez galinhas foram mortas no mesmo estilo. "Estamos com medo, pois ainda temos outros animais que conseguiram escapar da matança" , falou Mafalda.

O médico-veterinário Diogo Siqueira, especialista em pesquisa de Fauna, defende que os ataques foram cometidos por cães. Siqueira mora no condomínio e foi acionado para o local no dia do ataque que culminou na morte dos 19 animais da família Destra. Segundo ele, foram constatadas duas marcas de médio porte, semelhante aos de canídeos. "As marcas diferem de felinos, pois as unhas ficam expostas nas marcas, o que ocorre com a de cães. Só não posso afirmar se são cães selvagens ou domésticos. Pelo comportamento nos ataques e pela incidência de animais no condomínio, é quase certeza se tratar de cães domésticos", disse o médico-veterinário.

Siqueira também descarta a possibilidade de ataque cometido por Teiú ou gambá, animais estes de hábito noturno, mas que gostam de ovos, caso do primeiro, e não enfrenta galinhas grandes. "O ataque é típico de cães doméstico devido a forma. Os animais foram estraçalhados. Há cães domésticos que gostam de brincar e eles chegam a escalar alambrados para pegar a presa. O animal selvagem, ele mata para comer”, avalia o veterinário.