Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 5h30

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, lançaram no último dia 3 a campanha “Tudo Tem seu Tempo”, que visa a educar jovens sobre sexo e gravidez na adolescência. A ação tem como foco duas faixas etárias: de 15 a 19 anos e abaixo de 15 anos. A campanha é pertinente e o tema extremamente importante.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que o Brasil tem 68,4 bebês nascidos de mães adolescentes a cada mil meninas de 15 a 19 anos. São dados de 2018 e configuram um retrato preocupante, afinal, a gravidez precoce interfere na vida da família, limita os planos e sonhos dos jovens, costuma gerar crises e mágoas, complicando o relacionamento entre os envolvidos.

Além disso, exige toda uma adaptação de pais, avós e dos próprios adolescentes a uma realidade para a qual ainda não há nem preparo material nem maturidade emocional.

Ainda de acordo com o relatório da OMS, o índice brasileiro está acima da média latino-americana, estimada em 65,5. No mundo, a média é de 46 nascimentos a cada mil. Em países como os Estados Unidos, o índice é de 22,3 nascimentos a cada 1 mil adolescentes de 15 a 19 anos.

O programa faz parte da Semana Nacional de Prevenção à Gravidez Precoce, criada pelo presidente Jair Bolsonaro em janeiro de 2019. A mensagem estimula o adiamento de relações sexuais e orienta jovens a dialogar com a família e a procurar unidades de saúde antes de iniciar uma vida sexual ativa.

O tema gerou polêmica na semana passada por conta da defesa, enfatizada pela ministra, de abstinência sexual para evitar a gravidez. Na avaliação de Damares, essa seria uma forma legítima e eficaz de abordar o tema. No lançamento da campanha, porém, o discurso mudou. A ministra afirmou que a abstinência seria apenas “mais um” dos métodos contraceptivos e não o único. Mais tarde, falou em projeto-piloto no Norte e Nordeste. Confuso.

A Defensoria Pública da União reagiu, observando que não há evidências que comprovem a eficiência dessa atitude junto a uma população jovem, ansiosa pela iniciação sexual. Sabe-se que há o risco de uma defesa dessa gerar motivo de chacota e perder a oportunidade da orientação sobre um tema tão importante. O melhor, evidentemente, é que a iniciativa do governo seja acolhida com propósitos sérios, sem ideologismos, achismos e exageros. Não é uma questão simplista. Informação e educação são, com certeza, o melhor caminho para tratar de um assunto delicado e de interesse público.