Publicado 06 de Fevereiro de 2020 - 5h30

Pelo menos 7,6 milhões de pessoas em todo o mundo morrem anualmente em decorrência do câncer. E a expectativa é de que este número continue crescendo nos próximos anos. São dados preocupantes e servem de alerta para indivíduos, agentes de saúde e governos. Em 2020, o Dia Mundial do Câncer (4 de fevereiro) completou 20 anos. A data é uma iniciativa da União Internacional para o Controle do Câncer com apoio da Organização Mundial da Saúde e a meta é mobilizar para a conscientização e educação global sobre a doença, na busca de evitar esses milhões de mortes.

Levantamento divulgado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) e publicado em caderno especial sobre o tema no Correio, mostra que das mortes por câncer, cerca de 4 milhões, ou seja, mais da metade, são de pessoas com idade entre 30 e 69 anos. Se não forem tomadas medidas práticas para lidar com o avanço da doença, a previsão para 2025 é que essas mortes prematuras cheguem a 6 milhões por ano.

O Brasil deve registrar cerca de 625 mil novos casos de câncer por ano de 2020 a 2022, conforme estudo do instituto. Somente entre a população infantojuvenil são esperados 8,4 mil casos novos por ano neste mesmo período. Os cânceres mais incidentes no País no período serão os de pele não melanoma, mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago.

A necessária rotina preventiva que envolve consulta médica e realização de exames esbarra, em muitos casos, na dificuldade de conseguir o atendimento rápido na rede pública. Como o diagnóstico muitas vezes demora para acontecer, há casos onde os pacientes começam a realizar o tratamento — quando o fazem — já com a doença em estágio avançado, prejudicando as chances de cura. É uma corrida contra o tempo.

Por outro lado, sabe-se que parte considerável dos casos de câncer pode ser prevenida a partir de mudanças no estilo de vida. Pressuposto da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica é de que 30% a 50% das notificações da doença seriam evitadas com adoção de hábitos como praticar atividade física, não fumar, manter uma dieta equilibrada — preferindo consumir alimentos naturais — se vacinar e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas.

Oferecer à população acesso aos serviços de saúde, preventivos ou de tratamento, aprimorando continuamente o atendimento prestado, é um desafio que deve ser encarado e vencido por todos os níveis de governo na luta contra o avanço da doença.