Publicado 05 de Fevereiro de 2020 - 5h30

As pessoas que trabalham fora de casa, na maioria das vezes acabam fazendo as refeições em restaurantes espalhados pela cidade. Nos últimos anos, por conta da crise financeira, muitos deles reviram os hábitos e passaram a levar marmita para o trabalho e o ambiente de estudo. Por conta disso, os restaurantes sentiram o baque e viram o faturamento cair. No entanto, a leve retomada da economia já foi sentida pelos restaurantes, que tiveram aumento de 4,8% no faturamento no ano passado, segundo levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

O empresário Flávio André D’Abruzzo, de 48 anos, diz que assim como seus três funcionários, sempre almoça em restaurantes. "Eu e meus funcionários nos alimentamos fora mesmo. Não dá pra voltar do cliente para o escritório, fazer comida ou esquentar. Então a gente procura locais na cidade onde a gente está trabalhando pra se alimentar", diz.

O bancário Carlos Liberato de Oliveira, de 41 anos, também almoça fora todos os dias da semana. “A gente está sempre na rua, fazendo visitas, atendendo, pela praticidade é mais fácil almoçar fora. Em alguns lugares o preço é mais caro, aí tem de ir dosando para enquadrar dentro do orçamento mensal, mas vale a pena", garante.

Fora do lar

Esse comportamento ajudou a recuperar o setor de Alimentação Fora do Lar. Graças a ele os restaurantes da Região Metropolitana de Campinas (RMC) conseguiram aumentar em 4,8% o faturamento em 2019, na comparação com o ano anterior. No Brasil, segundo o levantamento da Abrasel, a recuperação do setor foi de apenas 2,5%.

O faturamento dos bares, restaurantes e afins da RMC atingiu R$ 3,08 bilhões, enquanto no Brasil alcançou a marca de R$ 186,1 bilhões. Na região, o setor conta com cerca de 12 mil estabelecimentos comerciais em atividade, sendo 6 mil apenas em Campinas. Na RMC, o setor de Alimentação Fora do Lar emprega cerca de 60 mil pessoas diretamente, além de outros milhares indiretamente.

O empresário Lucca Marinello, de 21 anos, que tem um estabelecimento no Jardim Guanabara, que funciona como restaurante de dia e bar à noite, não tem do que reclamar. "A gente abriu há um ano e meio. O bairro é muito bom, tem muitas clínicas e empresas. Em média, a gente serve 110 refeições no almoço, por dia. Não esperava todo esse movimento. Está muito bom. O almoço representa 40% do nosso faturamento. Em 2020 acredito que vai melhorar mais ainda", diz.

Mária de Fátima Ferreira, de 44 anos, supervisora de um tradicional restaurante na região do Largo do Rosário, também sentiu melhora no faturamento em 2019. "O faturamento aumentou pouco menos de 4%. A clientela aumentou graças a Deus. Tá vindo bastante gente que trabalha e voltou a comer fora. Atendemos bem a região central e eles estão voltando", comemora.

De acordo com ela, os clientes disseram que estavam em dificuldades financeiras e, por isso, tiveram de controlar os gastos. Para não piorar a situação, o estabelecimento segurou o aumento de preços. "Tivemos aumento muito grande nas proteínas, principalmente a carne vermelha. Fizemos adaptação no cardápio com sabedoria, sem afetar a qualidade da casa, tudo para não repassar para os preços. Usamos o jogo de cintura e graças a Deus conseguimos superar isso", ressalta.

Poder de compra

De acordo com o presidente da Abrasel RMC, Matheus Mason, o crescimento verificado no ano passado é reflexo do aumento do poder de compra das famílias e da geração de empregos, que colocou mais pessoas no mercado de trabalho.

“É um sinal positivo, mas ainda está bem distante do que o setor pode crescer e recuperar as perdas dos últimos anos, provocadas pela crise”, afirma. “Os empresários ainda passam por dificuldades pela queda de vendas e faturamento. Muitos bares e restaurantes da região encerraram suas atividades nos últimos meses por causa da queda de movimento com a crise dos últimos quatro anos”, acrescenta.

De acordo com o presidente da Abrasel RMC, a trajetória de crescimento do ano passado deverá manter-se em 2020. O setor projeta para este ano um faturamento ainda melhor. “Um levantamento realizado junto aos nossos mais de 400 associados, indica uma expectativa de crescimento de 4%, acima dos 2,5% projetados pela Abrasel Nacional”.