Publicado 07 de Fevereiro de 2020 - 7h34

Por Henrique Hein

O descontrole financeiro nos gastos, principalmente com cartões de crédito, é uma das causas do endividamento

Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O descontrole financeiro nos gastos, principalmente com cartões de crédito, é uma das causas do endividamento

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) começou o ano com um aumento no número de moradores superendividados. Segundo dados divulgados ontem pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), o percentual de pessoas impossibilitadas de quitarem suas pendências subiu 3% entre os anos de 2018 e 2019. Em 12 meses, a quantidade de devedores passou de 475,2 mil para 489,8 mil — um crescimento de 14,6 mil novos moradores com graves problemas financeiros na região. Desse montante, quase um terço reside em Campinas (180,6 mil). 

O superendividamento acontece quando o consumidor adquire dívidas que superam sua renda e seu patrimônio, impedindo que ele consiga sair dessa situação sem comprometer custos relacionados à sua própria subsistência, como aluguel e alimentação. "Estamos falando de pessoas que estão com uma dívida acumulada superior a um ano e que não possuem margem para sair do buraco em que se meteram" , explica o economista da Acic, Laerte Martins.

Segundo o estudo, atualmente 15% dos 3,25 milhões de habitantes estão superendividados na RMC. Entre as justificativas mais comuns estão: os cálculos feitos de cabeça, a preguiça para fazer o controle financeiro dos gastos, a falta de disciplina para administrar as finanças e a dificuldade para encontrar um equilíbrio entre o dinheiro que entra e sai da conta.

"A maioria da população brasileira, de um modo geral, não tem uma boa educação financeira. Eles ganham dinheiro, mas não sabem guardar. Quando param para pessar, estão com uma bomba nas mãos", explica Martins.

Apesar de ser difícil sair do superendividamento, o especialista garante que não é impossível. Para ele, o primeiro passo é se organizar e buscar alternativas que possam ajudar a ter uma vida financeira mais saudável. "Quem está nessa situação precisa encontrar uma maneira de cortas gastos, tentar melhorar seu poder de consumo por meio de um aumento salarial e buscar empréstimos com menores taxas de juros para diminuir a dívida aos poucos" , destaca.

Por fim, Martins afirma que os dados apresentados no estudo da Acic, apesar de esperados, são preocupantes. "O índice de endividamento em Campinas e nas cidades da região está bastante elevado", destaca o economista, que vê um cenário ruim pela frente.

"A nossa expectativa é de que haja um crescimento da economia e do poder de compra dos consumidores neste ano. Esperamos algo em torno dos 2%. No entanto, essa perspectiva é insuficiente para melhorar o quadro atual. A tendência é que 2020 termine com um número ainda maior de pessoas superendividadas".

Em janeiro, diminuem os brasileiros com dívidas

Os brasileiros iniciaram o ano de 2020 um pouco menos endividados, segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O porcentual de famílias com dívidas diminuiu para 65,3% em janeiro, após ter alcançado 65,6% em dezembro, o maior patamar da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor.

Na comparação com janeiro de 2019, a proporção de endividados foi consideravelmente mais baixa, 60,1%. Para a CNC, o elevado nível de endividamento ainda é compatível com a renda das famílias, impulsionado por melhores condições de crédito e pela recuperação do mercado de trabalho. O total de famílias que declararam não ter condições de pagar suas contas ou dívidas em atraso diminuiu de 10% em dezembro para 9,6% em janeiro. (EC)

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Henrique Hein