Publicado 05 de Fevereiro de 2020 - 18h33

Por Carlo Carcani Filho

Novak Djokovic disputou a final do Aberto da Austrália pela oitava vez. Como ocorreu nas sete vezes anteriores, levantou o troféu de campeão ao final da partida. Aos 32 anos, já tem 17 títulos de Grand Slam, atrás apenas de outras duas lendas do tênis: Rafael Nadal (19) e Roger Federer (20). Como é o mais novo dos três — o espanhol tem 33 e o suíço, 38 —, são boas as chances de que venha a se tornar o maior campeão da história do esporte.

O adversário na final de domingo deu muito trabalho a Djoko e esteve perto de vencer. O sérvio Dominic Thiem chegou a fazer 2 a 1, mas não conseguiu fechar o jogo e perdeu os sets finais por 6/3 e 6/4, em uma batalha de quatro horas em Melbourne.

Thiem é um dos melhores jogadores de uma geração que corre o sério risco de ser ofuscada pelo brilho intenso dos três gênios que dominam o esporte há muitos anos.

Thiem é o quarto colocado do ranking mundial e já faturou mais de US$ 22 milhões apenas em prêmios da ATP. Sua carreira é mais do que vitoriosa e o tênis lhe deu quase tudo o que pode desejar. Mas, aos 26 anos, corre o sério risco de conquistar poucas vezes — ou talvez nenhuma — a honra de ser campeão de um torneio do Grand Slam.

Thiem jogou demais em Melbourne, mas é muito difícil superar qualquer integrante do trio que conquistou os últimos 15 títulos do Grand Slam.

Djoko, Rafa e Roger conquistaram 56 troféus dos quatro torneios mais importantes do mundo. Entre os demais tenistas em atividade, apenas quatro conseguiram vencer um Grand Slam. E isso só aconteceu oito vezes.

Thiem, apesar do notório talento, não está entre esses quatro. “Você esteve muito perto de vencer, parabéns pelo torneio. Mas você ainda tem muito tempo de carreira para ganhar títulos de Grand Slam. Mais de um”, elogiou Djokovic em seu discurso da vitória.

Também acredito que Thiem vai ganhar um Grand Slam antes de encerrar a carreira. Mas existe a possibilidade de que ele e outros tenistas excelentes de sua geração não alcancem esse glória.

O risco é que os dois gênios mais novos sigam ganhando tudo por mais alguns anos. E depois, quando finalmente se despedirem do tênis, a turma de Thiem já estará na casa dos 30 anos. A essa altura, uma nova geração de talentos, que está saindo do forno agora, estará no auge da forma.

É difícil derrotar atletas de muita qualidade que sejam oito ou até dez anos mais novos. Essa é uma missão que gênios como Djokovic, Nadal e Federer conseguiram cumprir com louvor nos últimos anos. Vamos ver o que a geração de Thiem vai conseguir quando chegar a sua vez.

Escrito por:

Carlo Carcani Filho